OKR é um método de definição de metas que liga o que a empresa quer alcançar ao que cada equipe faz na semana. A sigla vem do inglês Objectives and Key Results: objetivos e resultados-chave. O objetivo diz para onde ir. Os resultados-chave dizem, de forma verificável e com prazo, como se saberá que a empresa chegou lá.
Este guia mostra como escrever objetivos e resultados-chave que sobrevivem ao trimestre, qual a diferença para o KPI e como adaptar o método ao tamanho de uma PME. Mostra também uma coisa que a primeira página do Google não costuma tratar: os casos em que pôr um número na meta atrapalha em vez de ajudar.
Resumo rápido
- Definição. OKR é um objetivo qualitativo sustentado por três a cinco resultados-chave verificáveis, quase sempre com número, revisados em ciclos curtos, em geral trimestrais.
- OKR não é KPI. O OKR é a meta de avanço do período. O KPI é o indicador que monitora a saúde contínua da operação. Os dois convivem.
- Verificável e com prazo é o teste. Se duas pessoas podem discordar sobre se o resultado-chave foi atingido, ele está mal escrito.
- Nem toda meta pede número. Seijts e Latham (2005) sustentam que, quando o que falta é conhecimento e habilidade, e não esforço, a meta certa é de aprendizado, e não de resultado.
- O efeito da meta encolhe quando a tarefa individual é complexa. Na meta-análise de Wood, Mento e Locke (1987), o efeito aparece mais forte nas tarefas fáceis e mais fraco nas mais complexas.
- Cuidado com a meta ambiciosa. Sitkin e colegas (2011) argumentam que metas extremas são mais sedutoras justamente para as organizações que menos podem arcar com o risco delas.
- Ao desdobrar para a pessoa, escreva contribuição. Em Kleingeld, van Mierlo e Arends (2011), metas individuais voltadas a maximizar o desempenho próprio dentro de grupos interdependentes apareceram com efeito negativo sobre o grupo.
- Na PME, comece pequeno e não amarre a meta ao bônus no primeiro ciclo, para não transformar o método em negociação de meta fácil.
O que é OKR
Um OKR tem duas partes. O objetivo responde “para onde queremos ir?”. É uma frase curta, qualitativa, sem número, que dá direção. Os resultados-chave respondem “como saberemos que chegamos lá?”. São de três a cinco resultados verificáveis, quase sempre com número de partida, número de chegada e prazo.
A lógica é separar o que motiva do que prova. O objetivo motiva. Os resultados-chave provam. Quando as duas coisas se misturam, sobra uma lista de intenções que ninguém consegue conferir no fim do trimestre.
Um exemplo torna isso concreto. Objetivo: “tornar o atendimento da loja uma referência para o cliente”. Resultados-chave: elevar a nota de satisfação de 7,5 para 9; reduzir o tempo médio de resposta de 8 horas para 2; alcançar 80% de chamados resolvidos no primeiro contato. Sozinho, o objetivo seria vago. São os resultados-chave que o tornam acompanhável.
De onde vem o OKR
O método nasceu na Intel, nos anos 1970, com Andy Grove, que acrescentou os resultados-chave à gestão por objetivos de Peter Drucker. O investidor John Doerr, que trabalhou com Grove, popularizou a sigla e apresentou a ideia aos fundadores do Google em 1999, quando a empresa ainda era pequena. Doerr consolidou o método em 2018, no livro Measure What Matters, publicado no Brasil como Avalie o que Importa.
A teoria que está por trás não nasceu no Vale do Silício. Ela vem da pesquisa sobre definição de metas, consolidada por Locke e Latham (2002) em um artigo que reúne 35 anos de estudo sobre metas e motivação para a tarefa. É dessa literatura que saem as evidências citadas neste guia, e é dela que vêm também as ressalvas.
OKR e KPI: qual a diferença
Na nossa prática: esta é a dúvida que mais aparece, e confundir os dois é o que mais atrapalha na implantação. Em uma frase: o KPI monitora, o OKR empurra. Um mede a saúde da operação de forma contínua. O outro define o avanço que a empresa quer fazer neste período.
| OKR | KPI | |
|---|---|---|
| O que é | Meta de avanço, formada por objetivo mais resultados-chave | Indicador de acompanhamento contínuo |
| Pergunta que responde | Para onde queremos ir neste período? | Como está a saúde da operação agora? |
| Natureza | Aspiracional e temporário, muda a cada ciclo | Permanente, de monitoramento |
| Exemplo | Objetivo: ser referência em atendimento. Resultado-chave: elevar o NPS de novos clientes de 40 para 60 no trimestre | Taxa de cancelamento mensal, ticket médio |
| Quando muda | No fechamento do ciclo | Só quando a operação muda |
Não é escolher um ou outro. Um indicador que saiu da curva, como o cancelamento subindo, é justamente um bom candidato a virar objetivo do trimestre seguinte. E um resultado-chave pode ser a meta de um KPI que a empresa já acompanha.
Como escrever um bom OKR
A estrutura é sempre a mesma: um objetivo e de três a cinco resultados-chave. O que separa o OKR útil do enfeite de parede é a qualidade da redação de cada parte.
-
1. Escreva o objetivo sem número
Uma frase curta e qualitativa que diga para onde a área quer ir no período. Se tiver número, é resultado-chave disfarçado de objetivo
-
2. Escolha o indicador de cada resultado
Para cada resultado-chave, defina o que exatamente será medido e de onde o dado sai. Indicador sem fonte de dado vira discussão no fechamento
-
3. Registre o ponto de partida e o de chegada
“De 7,5 para 9” diz muito mais do que “9”. Sem o ponto de partida, ninguém sabe se a meta é ambiciosa ou se já estava quase pronta
-
4. Marque o prazo e o dono
Data de fechamento e uma pessoa responsável por trazer o número. O dono não é quem faz sozinho, é quem responde pelo acompanhamento
Três regras práticas completam o desenho. Meça resultado, não tarefa: “lançar a nova página” é tarefa, “aumentar a conversão da página de 2% para 4%” é resultado. Poucos por vez: de um a três objetivos por equipe, com até cinco resultados-chave cada. Escreva para quem não estava na reunião: se duas pessoas podem discordar sobre se a meta foi atingida, ela está mal escrita.
A exigência de especificidade não é invenção do método. Wood, Mento e Locke (1987) reuniram, em meta-análise, estudos de definição de metas conduzidos entre 1966 e 1985. Uma das comparações que eles analisam é a de metas específicas e difíceis contra pedir às pessoas que fizessem o seu melhor ou não dar meta alguma.
A força dessa base é reconhecida até por quem critica o método: Ordóñez, Schweitzer, Galinsky e Bazerman (2009) abrem o próprio artigo registrando que centenas de estudos, em muitos países e contextos, demonstraram de forma consistente que estabelecer metas específicas e desafiadoras pode impulsionar o comportamento e o desempenho. É essa base que sustenta a exigência de resultado-chave específico e desafiador. O número de partida, o número de chegada e o prazo são a forma de redação da casa para chegar lá.
Quando o resultado-chave numérico atrapalha
Aqui está a parte que quase nenhum guia de OKR conta, e ela muda a forma de escrever o primeiro ciclo de uma PME.
Na mesma meta-análise, Wood, Mento e Locke (1987) classificaram cada estudo pela complexidade da tarefa. O efeito da meta apareceu mais forte nas tarefas fáceis, com d de 0,76, e mais fraco nas tarefas mais complexas, com d de 0,42.
Entre as tarefas que eles classificam como mais complexas estão simulações de jogos de negócio e trabalho científico e de engenharia. O d expressa a diferença entre condições em desvios padrão.
Duas ressalvas importam antes de usar esses números. O resumo do estudo apresenta esses dois números como achado geral de três conjuntos de análise, sem dizer de qual conjunto cada um sai. E são medidas de diferença entre condições de pesquisa, não de resultado de empresa. Servem para indicar direção e ordem de grandeza, não para prever o efeito de um OKR específico.
Seijts e Latham (2005) vão adiante e nomeiam a situação. Eles argumentam que a meta de resultado pode ter efeito deletério sobre o desempenho. E sustentam que, quando o que falta é aquisição de conhecimento e habilidade, e não aumento de esforço e persistência, o que se deve estabelecer é uma meta de aprendizado, específica e desafiadora.
A meta de aprendizado, escrevem eles, desvia a atenção do resultado final e a coloca na descoberta de estratégias e processos eficazes.
É importante dizer o que esse texto é: um artigo de argumentação dirigido a executivos, publicado na Academy of Management Perspectives, e não uma meta-análise. Ele organiza uma tese e a defende.
| Situação da equipe | O que está faltando | Meta que cabe | Como fica escrito |
|---|---|---|---|
| Já sabe fazer, o desafio é constância | Esforço e persistência | Meta de resultado | “Elevar a resolução no primeiro contato de 62% para 80% até 31/03” |
| Nunca fez isso antes | Conhecimento e método | Meta de aprendizado | “Testar três formas de reduzir o retrabalho na montagem e documentar o que funcionou, até 31/03” |
| A causa do problema é desconhecida | Diagnóstico | Meta de aprendizado | “Mapear as cinco maiores origens de devolução e quantificar cada uma, até 31/03” |
| Processo estável e repetitivo | Ritmo | Meta de resultado | “Reduzir o prazo médio de emissão de 3 dias para 1 até 31/03” |
Leitura da CGLC: na PME, o primeiro ciclo quase sempre cai na segunda linha da tabela. A empresa nunca fez OKR, a equipe não conhece o próprio indicador e ninguém sabe qual alavanca move o número. Escrever uma meta de resultado agressiva nesse cenário é pedir ao time que corra antes de saber para onde. O ciclo de estreia rende mais quando ao menos um resultado-chave é de aprendizado.
O ciclo de OKR na prática
O OKR não é um documento que se escreve uma vez e se arquiva. Ele vive em um ciclo, quase sempre trimestral, com quatro momentos.
-
Planejamento
No início do ciclo, a empresa define os OKRs do período, do topo às equipes, e deixa todos visíveis. Quando cada time enxerga o objetivo dos outros, o alinhamento deixa de depender de reunião
-
Check-ins
Conversas curtas, semanais ou quinzenais, em que cada dono atualiza o quanto avançou e diz o que está travando. É aqui que o método vive ou morre
-
Fechamento
No fim do ciclo, cada resultado-chave recebe uma pontuação, em geral de 0 a 1, comparando o que foi alcançado com o que tinha sido combinado
-
Retrospectiva
O time discute o que funcionou, o que não funcionou e o que a nota ensina sobre a calibragem da próxima meta. Sem esta etapa, o fechamento vira só uma nota
A pontuação serve para calibrar e aprender, não para punir. É por aí que o OKR se conecta, sem se confundir, com a avaliação de desempenho: uma coisa é avaliar a meta da área, outra é avaliar a pessoa.
A meta ambiciosa e o paradoxo do stretch goal
Circula no mercado uma regra de bolso: OKR é ambicioso de propósito, e atingir cerca de 70% já é um bom resultado. É convenção de mercado, e não achado de pesquisa. A ideia tem um fundo razoável, que é evitar a meta fácil combinada para ser batida. Mas ela costuma ser repetida sem a contrapartida, e a contrapartida existe.
Sitkin, See, Miller, Lawless e Carton (2011) investigaram a busca organizacional por metas aparentemente impossíveis, que a literatura chama de stretch goals. A partir da análise dos mecanismos pelos quais essas metas poderiam influenciar o aprendizado e o desempenho da organização, eles propõem um quadro de contingência.
O quadro separa quais organizações estão posicionadas para se beneficiar de metas extremas e quais são as mais propensas a persegui-las. A conclusão que tiram é desconfortável: as metas extremas são, paradoxalmente, mais sedutoras para as organizações que menos podem arcar com os riscos associados a elas.
O que este estudo é, e o que ele não é. É um artigo teórico publicado na Academy of Management Review, que propõe um quadro conceitual e o defende. Não é uma medição de empresas. Ele não quantifica quanto a meta extrema custa, e nada no texto autoriza dizer que ela funciona ou deixa de funcionar em uma empresa específica.
Leitura da CGLC: na nossa prática, a PME que vem de um trimestre ruim é quem mais se anima com a meta gigante, porque ela promete resolver tudo de uma vez. É a hora de desconfiar do impulso. Nada disso está em Sitkin e colegas, que não nomeiam condição nenhuma.
Ainda a leitura da CGLC: uma meta ambiciosa pede caixa para absorver o erro e tempo para aprender com ele. As duas coisas costumam estar curtas justamente quando a meta gigante parece mais atraente. Se a empresa vai usar a régua dos 70%, que seja com o combinado explícito de que a nota não vira cobrança pessoal.
Como desdobrar o OKR sem quebrar o time
Há um achado de meta-análise que muda a forma de descer o OKR da equipe para a pessoa. Kleingeld, van Mierlo e Arends (2011) reuniram estudos sobre metas de grupo e desempenho de grupo.
Metas específicas e difíceis produziram desempenho bem acima do de metas não específicas, com d de 0,80 sobre 23 tamanhos de efeito. O efeito geral de todas as metas de grupo ficou em d de 0,56 sobre 49 tamanhos de efeito.
O que mais interessa aqui vem do inventário que eles fizeram de metas individuais dentro de grupos interdependentes. Metas voltadas a maximizar o desempenho da própria pessoa produziram efeito negativo forte sobre o desempenho do grupo, com d de -1,75. Metas escritas como contribuição para o resultado do grupo produziram efeito positivo, com d de 1,20.
Esses dois últimos números saem de poucos estudos, 6 e 4 tamanhos de efeito, e por isso pedem leitura cautelosa. A direção é mais confiável do que a magnitude.
Um segundo resultado do mesmo estudo contraria o senso comum do mercado. Os autores relatam que, inesperadamente, a interdependência da tarefa, a complexidade da tarefa e a participação não moderaram o efeito das metas de grupo. Isso não briga com Wood, Mento e Locke (1987): aqui a medida é do desempenho do grupo, e lá era da tarefa que a pessoa executava.
A participação do time em definir a própria meta é tratada como pré-requisito em boa parte do material sobre OKR, e nesta meta-análise ela não apareceu como condição para o efeito.
Leitura da CGLC: isso não é licença para impor meta de cima para baixo. Participação tem outros efeitos, sobre compromisso e sobre clima, que este estudo não mediu. O que o achado autoriza dizer é mais modesto e mais útil: a empresa que não conseguiu montar um processo participativo elaborado não deve adiar o OKR por causa disso.
Um limite que os próprios autores apontam: eles registram a escassez marcante de estudos de campo recentes em ambientes organizacionais nessa área. Vale lembrar disso antes de transportar qualquer número para o chão da empresa.
Na prática da redação, a diferença é pequena e decisiva. São a mesma pessoa e o mesmo número, em molduras opostas:
- Desempenho próprio: “fechar 12 contratos no trimestre”.
- Contribuição para o time: “contribuir com 12 dos 40 contratos que o time precisa fechar no trimestre”.
O acompanhamento disso é conversa de rotina, e cabe no mesmo espírito do nosso guia de como dar feedback.
O outro lado: quando a meta faz estrago
Vale conhecer a crítica, porque ela é séria e teve réplica pública. Ordóñez, Schweitzer, Galinsky e Bazerman (2009) argumentam que os efeitos benéficos da definição de metas foram superestimados e que o dano sistemático causado por elas foi largamente ignorado.
Eles catalogam seis efeitos colaterais. A recomendação que fazem é tratar meta não como remédio de balcão, mas como medicamento de prescrição, com dosagem cuidadosa, atenção aos efeitos colaterais e supervisão próxima.
| Efeito colateral apontado no estudo | Como ele costuma aparecer num ciclo de OKR |
|---|---|
| Foco estreito que negligencia áreas fora da meta | A área bate o resultado-chave e deixa cair algo que ninguém escreveu, como a manutenção ou o pós-venda |
| Preferências de risco distorcidas | Perto do fechamento, com a meta longe, o time aposta alto porque a nota já está perdida de qualquer jeito |
| Aumento de comportamento antiético | Venda empurrada, número maquiado, chamado fechado sem resolver para caber no indicador |
| Aprendizado inibido | Ninguém testa caminho novo no meio do trimestre, porque testar arrisca a nota |
| Corrosão da cultura organizacional | Áreas param de se ajudar, porque ajudar não conta na meta de quem ajuda |
| Motivação intrínseca reduzida | O trabalho que a pessoa gostava de fazer vira obrigação de bater número |
A réplica veio no mesmo número da revista. Locke e Latham (2009) sustentam que os críticos feriram princípios de boa pesquisa, por tirar o tema central de evidência anedótica, usar citações não representativas da literatura, relatar resultados de forma incorreta e preferir metáforas emotivas à linguagem contida.
Eles acrescentam que quase todas as armadilhas apontadas já tinham sido publicadas por eles próprios. Na tréplica, Ordóñez e colegas (2009) reafirmam a comparação com o medicamento potente e pedem mais pesquisa sobre a amplitude dos efeitos.
Leitura da CGLC: o debate não se resolveu, e o gestor de PME não precisa escolher lado. O que os dois lados concedem é que as armadilhas existem. Na implantação, isso vira uma regra simples: nenhum resultado-chave entra no ciclo sem que alguém tenha perguntado em voz alta o que ele pode estragar se for perseguido com afinco.
Exemplos de OKR para PME
Exemplo de OKR costuma vir de empresa de tecnologia com centenas de pessoas, e não ajuda quem tem trinta. Os quatro abaixo foram escritos no tamanho de uma PME, com indicadores que a empresa já tem ou consegue montar em uma planilha.
| Setor | Objetivo do trimestre | Resultados-chave | Erro comum nesse setor |
|---|---|---|---|
| Varejo de bairro | Fazer de quem entra na loja um cliente que volta | Elevar a recompra em 90 dias de 18% para 28%; cadastrar 70% dos compradores no clube; reduzir a ruptura dos 20 itens mais vendidos de 12% para 4% | Escrever “vender mais” como objetivo e não ter nenhum resultado-chave que fale de recorrência |
| Serviços B2B (contabilidade, agência, TI) | Entregar com previsibilidade, sem depender de herói | Subir a entrega no prazo combinado de 71% para 92%; reduzir o retrabalho por erro interno de 14% para 5%; documentar os 8 processos mais executados | Medir horas trabalhadas em vez de entrega, o que premia quem demora |
| Indústria pequena | Tirar do chão de fábrica a perda que ninguém contabiliza | Reduzir a perda de material de 6,2% para 3,5%; cortar o tempo de troca da linha principal de 48 para 25 minutos; fechar 100% das ordens com apontamento no dia | Um resultado-chave por máquina, o que produz vinte metas e nenhuma prioridade |
| Clínica ou consultório | Ocupar a agenda sem sacrificar a experiência do paciente | Reduzir o não comparecimento de 22% para 10%; elevar a ocupação da agenda de 64% para 80%; manter a espera na recepção abaixo de 15 minutos em 9 de cada 10 atendimentos | Puxar ocupação para 100% e destruir a folga que absorve atraso e encaixe |
Repare no que os quatro têm em comum. O objetivo nunca tem número. A maioria dos resultados-chave traz o ponto de partida e o de chegada. Os que não trazem ou são de aprendizado, como documentar os oito processos mais executados, ou já nascem com o alvo em valor absoluto, e não como variação, caso de cadastrar 70% dos compradores no clube. E nenhum deles é um meio que pode mudar no caminho: não aparece “contratar um sistema”, “treinar a equipe” nem “criar o clube de vantagens”.
OKR na PME: como começar sem burocracia
Na nossa prática: não é preciso software caro nem área dedicada. Um ciclo inicial enxuto já entrega valor, e o excesso de estrutura é o que mais mata a implantação no primeiro trimestre.
| Passo | O que fazer no primeiro ciclo | O que adiar para o segundo |
|---|---|---|
| Escopo | Um OKR da empresa e um por equipe | Desdobramento individual |
| Ferramenta | Uma planilha ou um quadro compartilhado | Sistema dedicado de gestão de metas |
| Ritmo | Check-in de 15 minutos por semana | Relatório formal de acompanhamento |
| Tipo de meta | Ao menos um resultado-chave de aprendizado | Metas ambiciosas em tudo |
| Remuneração | Nenhuma amarração com bônus | Discussão sobre peso na variável, se houver |
A linha da remuneração é a que mais gera discussão e a que menos admite meio-termo no começo. Quando o OKR vira a régua principal do bônus, o time passa a propor metas fáceis, e a ambição, que é o ponto do método, desaparece na primeira rodada de negociação.
Leitura da CGLC: implantado assim, o OKR deixa de ser modismo e vira o que deveria ser, um jeito de dar foco e clareza. Ele é peça do mesmo quebra-cabeça da gestão de pessoas que sustenta a retenção de talentos e prepara o plano de sucessão.
Quer implantar OKRs e dar foco às metas da sua PME?
Perguntas frequentes
O que é OKR?
OKR é um método de definição de metas formado por um objetivo, qualitativo e sem número, e por três a cinco resultados-chave, que são resultados verificáveis, quase sempre com número de partida, número de chegada e prazo. A sigla vem do inglês Objectives and Key Results. O ciclo costuma ser trimestral, com conversas curtas de acompanhamento pelo caminho.
Qual a diferença entre OKR e KPI?
O KPI é um indicador de monitoramento contínuo, que mostra a saúde da operação, como o cancelamento ou o ticket médio. O OKR é uma meta de avanço para um período, que empurra a empresa para a frente. Os dois convivem: um KPI fora da curva pode virar o foco de um OKR, e um OKR pode usar um KPI como resultado-chave.
Todo resultado-chave precisa ter número?
Precisa ser verificável, e quase sempre isso significa número. A exceção aparece quando o que falta à equipe é conhecimento, e não esforço. Seijts e Latham (2005) sustentam que, nesse caso, a meta certa é de aprendizado, voltada à descoberta de estratégias e processos eficazes. Ela continua específica e com prazo, mas verifica método, e não resultado.
Quantos OKRs uma equipe deve ter?
Poucos. O recomendado é de um a três objetivos por equipe, com até cinco resultados-chave cada. O método existe para criar foco, e OKR demais produz o efeito contrário. Na PME, o primeiro ciclo rende mais com um OKR da empresa e um por equipe, sem desdobramento individual.
OKR serve para pequena empresa?
Sim, e não exige software nem área dedicada. Uma planilha e check-ins semanais bastam para começar. Para a PME, o segredo é começar pequeno, com um OKR da empresa e um por equipe, deixar ao menos um resultado-chave voltado a aprender, e não amarrar a meta ao bônus no primeiro ciclo.
Atingir 70% do OKR é bom resultado?
É uma convenção de mercado, não um achado de pesquisa, e ela existe para evitar a meta fácil combinada para ser batida. Sitkin e colegas (2011) argumentam que metas extremas são mais sedutoras justamente para as organizações que menos podem arcar com o risco delas. Se for adotar a régua, combine desde o início que a nota serve para calibrar, e não para cobrar pessoas.
Fontes e referências
- Locke, E. A., & Latham, G. P. (2002). Building a practically useful theory of goal setting and task motivation: A 35-year odyssey. American Psychologist, 57(9), 705-717. https://doi.org/10.1037/0003-066X.57.9.705
- Wood, R. E., Mento, A. J., & Locke, E. A. (1987). Task complexity as a moderator of goal effects: A meta-analysis. Journal of Applied Psychology, 72(3), 416-425. https://doi.org/10.1037/0021-9010.72.3.416
- Seijts, G. H., & Latham, G. P. (2005). Learning versus performance goals: When should each be used? Academy of Management Perspectives, 19(1), 124-131. https://doi.org/10.5465/ame.2005.15841964
- Sitkin, S. B., See, K. E., Miller, C. C., Lawless, M. W., & Carton, A. M. (2011). The paradox of stretch goals: Organizations in pursuit of the seemingly impossible. Academy of Management Review, 36(3), 544-566. https://doi.org/10.5465/amr.2008.0038
- Kleingeld, A., van Mierlo, H., & Arends, L. (2011). The effect of goal setting on group performance: A meta-analysis. Journal of Applied Psychology, 96(6), 1289-1304. https://doi.org/10.1037/a0024315
- Ordóñez, L. D., Schweitzer, M. E., Galinsky, A. D., & Bazerman, M. H. (2009). Goals gone wild: The systematic side effects of overprescribing goal setting. Academy of Management Perspectives, 23(1), 6-16. https://doi.org/10.5465/amp.2009.37007999
- Locke, E. A., & Latham, G. P. (2009). Has goal setting gone wild, or have its attackers abandoned good scholarship? Academy of Management Perspectives, 23(1), 17-23. https://doi.org/10.5465/amp.2009.37008000
- Ordóñez, L. D., Schweitzer, M. E., Galinsky, A. D., & Bazerman, M. H. (2009). On good scholarship, goal setting, and scholars gone wild. Academy of Management Perspectives, 23(3), 82-87. https://doi.org/10.5465/amp.2009.43479265
- Doerr, J. (2018). Measure What Matters. Portfolio/Penguin.
Por: Luciana Silva, administradora com especialização em neurociência e responsável por Gestão de Pessoas na CGLC. A CGLC (Centro de Gestão e Liderança Contemporânea) é um laboratório de cocriação de soluções que apoia empresas e líderes no desenvolvimento de lideranças, cultura de inovação e gestão de pessoas.
Publicado em 23/06/2026. Última atualização: 18/09/2026.
A CGLC (Centro de Gestão e Liderança Contemporânea) é um laboratório de cocriação de soluções que apoia empresas e líderes no desenvolvimento de lideranças, cultura de inovação e gestão de pessoas.
O melhor de gestão de pessoas no seu e-mail
Ideias práticas de RH para PMEs e os novos materiais da CGLC, direto na sua caixa de entrada.
