PMO é a sigla de project management office, o escritório de projetos: uma unidade organizacional que cuida de um conjunto de projetos ao mesmo tempo, em vez de executar um só. Ele pode definir método, acompanhar prazo e custo, treinar quem toca projeto, guardar o histórico e priorizar o que entra na fila.
Este artigo explica o que o escritório é e o que ele faz. Mostra por que a pesquisa desconfia da lista de tipos que circula no mercado. E entrega um roteiro de sete passos para instalar, numa PME, a versão enxuta que a literatura sugere. Começa por um dado incômodo: entre as práticas de gestão de projetos, o escritório é justamente a que fecha a lista, e nenhum respondente de empresa micro o apontou como essencial.
Resumo rápido
- Definição. PMO é o escritório de projetos, uma estrutura que atende vários projetos ao mesmo tempo. Aubry, Müller, Hobbs e Blomquist (2010) separam esse PMO multiprojeto do escritório de um projeto só, que existe para tocar um único empreendimento grande.
- O achado que contraria o senso comum. Na pesquisa de Turner, Ledwith e Kelly (2012), com 123 respostas da Irlanda, do Reino Unido, da Austrália e de outros países, o escritório de projetos é a última prática da lista: nenhum respondente de empresa micro e 7% dos de pequena o classificaram como essencial, contra 22% nas grandes. A prática mais apontada como essencial é a definição de requisitos, com 90% nas micro.
- Não existe modelo certo. Hobbs, Aubry e Thuillier (2008), resumindo o levantamento de Hobbs e Aubry, registram variedade extrema de forma e função e escrevem que as tentativas de reduzir essa variedade a um número limitado de modelos falharam.
- Legitimidade questionada. No mesmo levantamento, metade dos respondentes relatou que a legitimidade do próprio PMO, na forma em que ele estava, vinha sendo questionada.
- Mudar não é fracasso. Aubry e colegas (2010) registram que ao menos três levantamentos apontam idade média de cerca de dois anos, e declaram que a contribuição do estudo para quem pratica é desafiar o paradigma de considerar a mudança do PMO um sinal de fracasso.
- O que fazer na PME, na leitura da CGLC. Instalar primeiro as práticas que a pesquisa descreve como núcleo da versão simplificada de gestão de projetos para empresa pequena, e só criar o escritório quando o volume de projetos simultâneos passar do que a rotina de gestão dá conta. O roteiro de sete passos está na seção “Como montar um PMO enxuto em sete passos”.
O que é um PMO
PMO é a sigla em inglês para project management office, traduzida como escritório de projetos ou escritório de gerenciamento de projetos. É uma unidade da empresa criada para dar sustentação a projetos: não é quem executa a obra, o desenvolvimento ou a implantação, e sim quem organiza a maneira como esses trabalhos são planejados, acompanhados e encerrados.
A distinção mais útil para quem está começando aparece em Aubry, Müller, Hobbs e Blomquist (2010). Os autores separam dois objetos. De um lado, o PMO multiprojeto, cujo mandato cobre muitos projetos. De outro, o escritório de projeto único, responsável pela gestão de um empreendimento grande. Quando o mercado fala em PMO, quase sempre está falando do primeiro.
Aubry e colegas registram ainda que, para efeito da investigação deles, não é necessário que a unidade se chame PMO. O que define é o mandato, não a placa na porta.
Essa observação vale ouro na PME. Pense na empresa de quarenta pessoas que tem uma coordenadora encarregada de manter o cronograma das obras, cobrar os prazos e guardar o que deu errado. Essa empresa já tem, na prática, um escritório de projetos em miniatura, ainda que ninguém use a sigla.
O contorno mais honesto da definição, porém, é o que a própria literatura admite. Hobbs e Aubry (2007) escrevem que, apesar da proliferação de PMOs na prática, a compreensão do fenômeno permanece superficial na melhor das hipóteses. Acrescentam que não existe consenso sobre três pontos: como os PMOs são ou deveriam ser estruturados, que funções deveriam cumprir ou de fato cumprem, e que valor entregam.
Leitura da CGLC: comece por aí. Quem chega dizendo que a empresa precisa de um PMO costuma ter em mente um desenho pronto, e a pesquisa diz que esse desenho pronto não existe.
O que um PMO faz
O escritório de projetos não tem uma lista fixa de atribuições. Aubry e colegas (2010) citam Crawford (2004), de onde vem a identificação de perto de setenta e cinco funções distintas atribuídas a PMOs. Setenta e cinco funções para uma estrutura só é menos um cardápio e mais um aviso: cada empresa monta o seu.
A tabela abaixo agrupa as atribuições que encontramos com mais frequência nas empresas que acompanhamos, organizadas pelo tipo de trabalho que exigem. Ela é leitura da CGLC, não uma taxonomia extraída dos estudos.
| Frente | O que o escritório faz | Sinal de que a empresa precisa disso |
|---|---|---|
| Método | Define como um projeto começa, como é acompanhado e como termina; padroniza os poucos documentos que valem a pena | Cada gerente usa um formato próprio e ninguém compara dois projetos |
| Acompanhamento | Mantém a visão de prazo, custo e escopo de todos os projetos em um só lugar, com cadência fixa de revisão | A direção só descobre o atraso quando o cliente reclama |
| Priorização | Organiza a fila: o que entra, o que espera, o que morre. Torna visível a disputa por pessoas | Tudo é urgente e as mesmas pessoas estão em seis projetos |
| Apoio a quem executa | Ajuda o responsável pelo projeto a planejar, destrava impedimento e cobre lacuna de método | Quem toca projeto é bom técnico e nunca planejou nada |
| Memória | Guarda o histórico: o que foi estimado, o que aconteceu, o que se aprendeu | A empresa erra a mesma estimativa há três anos |
| Desenvolvimento | Treina e forma quem toca projeto, e cria a linguagem comum | Não há ninguém para assumir o próximo projeto |
PMO não é o gerente de projetos
É a confusão mais comum, e ela custa dinheiro. O gerente de projetos responde por um projeto: prazo, escopo, orçamento e equipe daquele trabalho. O escritório de projetos responde pelo conjunto: o método que todos usam, a visão consolidada e a fila de prioridades.
Quando a PME contrata alguém chamando-o de PMO e entrega a essa pessoa a execução de três projetos, ela não montou um escritório. Ela contratou um gerente de projetos sobrecarregado, e vai concluir em seis meses que PMO não funciona.
| Gerente de projetos | Escritório de projetos | |
|---|---|---|
| Alcance | Um projeto | Muitos projetos ao mesmo tempo |
| Pergunta que responde | Este projeto entrega no prazo? | Quais projetos entregam, e a que custo para o resto da empresa? |
| Entrega principal | O resultado do projeto | Capacidade de a empresa tocar projetos |
| Some quando | O projeto acaba | A prática vira rotina da empresa |
Os tipos de PMO, e por que desconfiar da lista
Praticamente todo material sobre o assunto apresenta uma lista de três ou quatro tipos de PMO, em ordem crescente de poder. Uma das mais influentes é a do Gartner Group, de 2000, citada por Kendall e Rollins (2003) e reproduzida por Aubry e colegas (2010): repositório de projetos, coach e corporativo.
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Repositório de projetos
Concentra informação, padrões e histórico. Não manda em ninguém e não cobra. É o degrau mais leve, e o que menos exige da empresa que está começando
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Coach
Além de guardar, ensina e apoia. Ajuda quem toca projeto a planejar e acompanhar, e dissemina o método pela empresa
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Corporativo
Assume autoridade sobre a carteira: prioriza, aloca pessoas e responde pelo desempenho do conjunto diante da direção
A ressalva é grande, e é ela que separa este artigo do que está ranqueando. Hobbs, Aubry e Thuillier (2008), resumindo o levantamento de Hobbs e Aubry, relatam variedade extrema tanto na forma quanto na função dos PMOs. E escrevem que as tentativas feitas até então de reduzir essa variedade a um número limitado de modelos falharam.
Os mesmos autores registram algo ainda mais desconfortável para quem vende modelo. A análise de correlação não encontrou relação sistemática entre o contexto e as características estruturais dos PMOs. O contexto ali é tanto o externo, medido por setor econômico ou região geográfica, quanto o organizacional interno. Nenhum dos fatores clássicos de contingência da teoria das organizações se correlacionou fortemente com a forma ou a função dos escritórios.
E a ideia de que existe uma escada a subir, do repositório até o corporativo, também não sobreviveu ao contato com os casos. Aubry e colegas (2010) descrevem que as tipologias em geral organizam os modelos numa hierarquia ascendente, e que os modelos de maturidade tomam essa progressão como dada. Escrevem, porém, que a realidade dos casos que estudaram não sustenta uma progressão regular rumo a um PMO melhor.
Leitura da CGLC: use a lista de três tipos como vocabulário para conversar, e não como plano de carreira do seu escritório. A pergunta útil não é em que degrau estamos, e sim quais funções a empresa precisa que alguém cumpra neste ano.
O que a pesquisa mostra sobre PMO em empresa pequena
Aqui está o dado que muda a conversa. Turner, Ledwith e Kelly (2012) aplicaram um questionário sobre práticas de gestão de projetos e receberam 123 respostas, a maior parte da Irlanda, do Reino Unido e da Austrália. Entre outras coisas, perguntaram quais práticas os respondentes consideravam essenciais.
O resultado, ordenado, coloca o escritório de projetos em último lugar. Nenhum respondente de empresa micro classificou o escritório como essencial, e entre os de empresa pequena foram 7%, contra 14% nas médias e 22% nas grandes. No topo da mesma lista está a definição de requisitos, apontada como essencial por 90% dos respondentes de micro e 81% dos de pequena.

Os autores testaram a diferença entre os portes. Relatam que a única diferença significativa entre empresas micro e pequenas, de um lado, e médias e grandes, de outro, dizia respeito justamente ao uso de um escritório de projetos.
Escrevem, em seguida, que empresas micro e pequenas não usam o escritório de projetos, o que sustenta a proposição de que elas adotam abordagens menos burocráticas. E que o escritório é usado por empresas de médio a grande porte, onde é necessário para coordenar o trabalho de especialistas.
A tabela completa mostra que o escritório não está sozinho no fim da fila, e que o padrão tem lógica.
| Prática | Micro | Pequena | Média | Grande |
|---|---|---|---|---|
| Definição de requisitos | 90 | 81 | 88 | 86 |
| Cronograma de trabalho ou de marcos | 74 | 79 | 68 | 74 |
| Gestão de riscos | 74 | 43 | 52 | 67 |
| Marcos | 73 | 64 | 73 | 71 |
| Relatório de situação, prazo | 70 | 36 | 57 | 82 |
| Estrutura analítica do trabalho | 70 | 64 | 48 | 56 |
| Gestão de pendências | 63 | 36 | 48 | 69 |
| Relatório de situação, custo | 59 | 43 | 50 | 77 |
| Cronograma de recursos | 52 | 21 | 40 | 52 |
| Plano de nível 1 ou mapa do projeto | 50 | 43 | 38 | 67 |
| Desenvolvimento de equipe | 44 | 29 | 46 | 37 |
| Matriz de responsabilidades | 44 | 57 | 40 | 52 |
| Relatório de situação, uso de recursos | 30 | 29 | 32 | 52 |
| Caderno do projeto | 7 | 19 | 22 | 24 |
| Métodos ágeis | 0 | 0 | 11 | 11 |
| Escritório de projetos | 0 | 7 | 14 | 22 |
Os autores ainda ordenam as práticas por uma segunda medida, que soma quem considera a prática essencial a quem a utiliza, e dela saem duas listas, a de micro e pequenas e a de médias e grandes. Observam que as duas têm as mesmas três práticas no alto: definição de requisitos, marcos e cronograma de trabalho ou de marcos. E que a definição de requisitos é a primeira nas duas. Os valores dessa segunda medida não constam da Tabela 3 acima, que traz só quem classificou como essencial.
Há um contraste que ajuda a entender o porquê. Os autores relatam que o desenvolvimento de equipe aparece entre as práticas muito usadas por micro e pequenas, e só entre as usadas às vezes por médias e grandes. Para eles, isso sustenta a proposição de que empresas pequenas usam abordagens mais centradas nas pessoas. Onde a empresa grande coordena especialistas com uma matriz de responsabilidades, a pequena coordena generalistas conversando.
Leitura da CGLC: a leitura fácil desses números é que empresa pequena é atrasada e ainda vai chegar lá. A leitura que a própria pesquisa sugere é outra: o escritório resolve um problema de coordenação entre especialistas que a empresa de vinte pessoas ainda não tem. Montar a estrutura antes do problema é pagar o custo sem colher o benefício.
Metade dos respondentes de outro levantamento relatou ter a legitimidade questionada
Quem decide montar um PMO precisa saber em que estatística está entrando. Hobbs, Aubry e Thuillier (2008), resumindo o levantamento de Hobbs e Aubry, relatam que, na maioria dos casos, os PMOs são estruturas instáveis, e que as organizações com frequência os reconfiguram a cada poucos anos. E acrescentam o dado mais duro: metade dos respondentes do levantamento relatou que a legitimidade do próprio PMO, na forma em que ele estava, vinha sendo questionada.
Aubry e colegas (2010) reforçam a instabilidade por outro caminho. Escrevem que ao menos três levantamentos independentes mostraram idade média de aproximadamente dois anos, e que isso não mudou nos anos recentes. Acrescentam que não conhecem resultado de pesquisa inconsistente com essa observação.
A conclusão que os autores tiram é que os PMOs muitas vezes não são estruturas estáveis, e sim arranjos temporários com expectativa de vida curta. Vale registrar que dois desses três levantamentos são de praticantes de mercado, e não trabalhos revisados por pares.
Os mesmos autores registram ainda que gestores de PMO com frequência são pressionados a demonstrar retorno para o dinheiro investido, enquanto o conhecimento disponível sobre os PMOs e sobre como eles contribuem para a criação de valor oferece a esses gestores muito poucos recursos.
A leitura que os autores propõem para esse quadro é o que dá ao artigo o seu melhor conselho. Aubry, Müller, Hobbs e Blomquist (2010) estudaram 17 casos, agruparam 35 fatores de mudança em seis categorias e apresentaram três padrões de mudança.
Os autores declaram, ao fim, que a contribuição do trabalho para quem pratica é desafiar o paradigma de considerar a mudança do PMO um sinal de fracasso.
Vale a pena conhecer uma leitura ainda mais radical. Aubry e colegas citam Pellegrinelli e Garagna (2009), que propõem conceber o PMO por meio de um processo de esvaziar a si mesmo. Os autores citados descrevem isso como uma transferência de valor do escritório para o resto da organização.
Nessa conceituação, o escritório implanta a cultura de projetos por meio de métodos, padrões e ferramentas. Terminada a tarefa, ele pode ficar sem ter como justificar a própria sobrevivência, porque a gestão de projetos passou a estar embutida nas rotinas da empresa. É proposta conceitual, nascida da participação de sete gestores seniores de grandes organizações num fórum, e não um resultado medido.
Leitura da CGLC: essa é a régua certa para a PME. O escritório que dá certo numa empresa de sessenta pessoas é o que se torna desnecessário, porque o método virou o jeito normal de trabalhar. Se, dois anos depois, a empresa só consegue tocar projeto enquanto o escritório existir, ele virou dependência e não capacidade.
A versão enxuta: o que instalar antes de criar o escritório
Turner, Ledwith e Kelly (2012) propõem que empresas de pequeno e médio porte precisam de formas de gestão de projetos mais simples e mais centradas nas pessoas do que as tradicionalmente usadas por organizações maiores. Testaram três proposições nessa direção. A recomendação prática que tiram é a de que podem ser necessárias versões diferentes: uma versão que chamam de micro-lite para empresas micro e pequenas, e uma versão lite para as médias.
O motivo é concreto. Os autores relatam que, nessa mesma amostra de 123 respostas da Irlanda, do Reino Unido, da Austrália e de outros países, mais de 40% do faturamento de empresas micro e pequenas é realizado como projetos, e mais de 60% nos dois primeiros anos de vida.
Como as pessoas nessas empresas acumulam funções, esses projetos são tocados por gente para quem gestão de projetos não é a primeira disciplina. A frase que os autores usam é direta: num estágio decisivo do seu desenvolvimento, essas empresas realizam muitos projetos geridos por amadores.
Sobre o conteúdo dessa versão simplificada, os autores escrevem que ela deveria ter a definição de requisitos no seu centro, além de práticas para gerir o trabalho, a duração e os recursos empregados. E que métodos centrados nas pessoas, que buscam o compromisso da equipe, são preferíveis.
Os autores também descrevem os procedimentos por porte. Registram que os usados por todas as empresas de pequeno e médio porte devem incluir relatórios de situação de custo e prazo, gestão de riscos e de pendências e estrutura analítica do trabalho.
Os procedimentos usados por micro e pequenas se apoiam ainda no desenvolvimento de equipe, com tarefas compartilhadas. Já os de médias e grandes usam matrizes de responsabilidades, com tarefas atribuídas a especialistas. Sobre um item específico, os autores são secos: cadernos de projeto não parecem despertar interesse algum.
| Camada | O que instalar | Como isso aparece numa PME |
|---|---|---|
| Núcleo, começa aqui | Definição de requisitos | Uma página por projeto respondendo o que precisa estar pronto, para quem, e como saberemos que ficou pronto. Assinada por quem pediu |
| Núcleo | Marcos e cronograma de marcos | De cinco a oito datas que importam, e não um cronograma de duzentas linhas que ninguém atualiza |
| Comum a toda PME | Relatório de situação de prazo e custo | Uma reunião de trinta minutos por quinzena, com os mesmos campos para todos os projetos |
| Comum a toda PME | Gestão de riscos e de pendências | Duas listas vivas: o que pode dar errado e o que já está travando. Cada linha com dono e data |
| Comum a toda PME | Estrutura analítica do trabalho | Quebrar a entrega em pacotes pequenos o bastante para caber numa semana |
| Específico da empresa pequena | Desenvolvimento de equipe, com tarefas compartilhadas | Generalistas que se cobrem. A coordenação sai da conversa, não da matriz |
| Só quando crescer | Matriz de responsabilidades | Faz sentido quando a empresa passa a coordenar especialistas que não se substituem |
| Por último | Escritório de projetos | Quando o volume simultâneo passar do que a rotina de gestão dá conta |
Note que várias dessas práticas já têm ferramenta conhecida, e a empresa provavelmente usa alguma. A ponte com o nosso acervo, abaixo, é leitura da CGLC e não está nos estudos. Quebrar a entrega em pacotes e enxergar a sequência é o que um fluxograma resolve. Revisar o que foi planejado contra o que aconteceu é o ciclo PDCA aplicado a projeto. E saber quem precisa ser ouvido antes de começar é trabalho de mapa de stakeholders.
Como montar um PMO enxuto em sete passos
O roteiro abaixo é da CGLC, construído a partir do que a pesquisa citada indica como núcleo da versão simplificada e do que vemos funcionar em empresas de vinte a duzentas pessoas. Ele começa deliberadamente sem criar cargo nenhum.
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1. Liste os projetos que já existem
Tudo que tem começo, fim e entrega, incluindo o que ninguém chama de projeto. Quase sempre a lista é maior do que a direção imaginava, e esse susto é o melhor argumento da conversa
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2. Padronize a definição de requisitos
Uma página por projeto, sempre o mesmo formato: o que entrega, para quem, até quando, e como saberemos que ficou pronto. É a prática mais apontada como essencial na pesquisa, e a mais barata de instalar
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3. Estabeleça marcos, não cronogramas
De cinco a oito datas por projeto. Cronograma detalhado em empresa pequena envelhece em uma semana e ensina o time a ignorar o plano
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4. Crie a cadência de revisão
Trinta minutos por quinzena, todos os projetos na mesma mesa, os mesmos campos. A cadência é o que faz o atraso aparecer antes do cliente
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5. Abra a fila e torne a disputa visível
Lista única e ordenada, com o nome das pessoas alocadas. Priorizar é decidir o que NÃO fazer agora, e isso só acontece quando a conta de gente fica à vista
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6. Dê a função a alguém, sem criar departamento
Uma pessoa com algumas horas por semana para manter a lista, preparar a revisão e cobrar pendência. Função nomeada, não organograma novo
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7. Combine desde já como o escritório sai de cena
Escreva quais práticas precisam virar rotina para que a estrutura deixe de ser necessária, e revise em doze meses. Escritório sem critério de saída vira departamento permanente
Vale um exemplo de como isso fica na prática, composto a partir de implantações que acompanhamos e com números arredondados. Uma empresa de instalações prediais com setenta funcionários tocava, ao mesmo tempo, onze obras e três projetos internos, e não havia uma lista com todos. A direção descobria o atraso pela reclamação do cliente.
Não foi criado nenhum cargo. A empresa padronizou uma página de requisitos por obra e reduziu o cronograma a seis marcos. Passou a fazer uma revisão quinzenal de quarenta minutos, com todas as obras na mesma planilha. A engenheira que já coordenava orçamentos ganhou quatro horas semanais protegidas para manter a lista e preparar a revisão.
O ganho relatado não foi de prazo médio, e sim de antecedência. Os atrasos passaram a aparecer com semanas de folga, quando ainda havia o que negociar com o cliente.
Quando a PME realmente precisa de um escritório
Instalar as práticas resolve a maior parte dos casos. Existe um ponto, porém, em que a coordenação passa a exigir alguém dedicado. Os critérios abaixo são da CGLC.
| Sinal | Ainda não precisa de escritório | Já precisa |
|---|---|---|
| Projetos simultâneos | Poucos, e a direção consegue nomear todos de cabeça | Muitos, e ninguém sabe a lista completa sem consultar |
| Perfil de quem executa | Generalistas que se substituem | Especialistas que não se cobrem, disputados por vários projetos |
| Origem do atraso | Problemas dentro de cada projeto | Disputa por pessoas entre projetos |
| Decisão de prioridade | O dono decide na hora, e isso funciona | A decisão depende de dados que ninguém consolida |
| Memória | As estimativas acertam razoavelmente | A empresa repete o mesmo erro de estimativa há anos |
Se a maior parte da coluna do meio descreve a sua empresa, o escritório não é o próximo passo. O próximo passo é a Tabela 4, e ela custa muito menos. O panorama de como a capacidade de tocar projetos se conecta ao resto da agenda de mudança está na nossa página sobre cultura de inovação. A rotina de melhoria que sustenta o dia a dia está no artigo sobre kaizen.
Cinco erros que fazem o PMO morrer no primeiro ano
A lista abaixo é da CGLC, montada a partir do que vemos com mais frequência, e cada item conversa com um achado das fontes citadas.
| Erro | O que acontece |
|---|---|
| Copiar o modelo de uma empresa grande | A estrutura chega pronta e não corresponde a nenhum problema real da casa. A pesquisa não encontrou fator de contexto que determine a forma do escritório, então não há modelo a copiar |
| Criar o escritório antes das práticas | Nasce um departamento que cobra planilha de quem nunca definiu requisito. A prática mais apontada como essencial custa uma página por projeto e quase sempre é pulada |
| Chamar de PMO um gerente de projetos | A pessoa é engolida pela execução, a visão do conjunto nunca aparece e a empresa conclui que a ideia não funciona |
| Medir o escritório pelo que ele produz | Relatórios viram a entrega. O escritório fica ocupado e a empresa não melhora, porque o resultado dele é a capacidade dos outros |
| Não combinar como o escritório sai de cena | Sem critério de saída, a estrutura se defende para sobreviver. É o caminho mais curto para a legitimidade questionada que metade dos respondentes do levantamento relatou |
Perguntas frequentes sobre PMO
O que significa PMO?
PMO é a sigla de project management office, ou escritório de projetos. É a unidade organizacional que dá sustentação a um conjunto de projetos, cuidando de método, acompanhamento, priorização, apoio a quem executa e memória. Aubry, Müller, Hobbs e Blomquist (2010) distinguem esse PMO multiprojeto do escritório de projeto único, que responde por um só empreendimento grande, e observam que, para efeito da investigação deles, não é necessário que a unidade se chame PMO.
Qual a diferença entre PMO e gerente de projetos?
O gerente de projetos responde por um projeto: prazo, escopo, orçamento e equipe daquele trabalho. O escritório de projetos responde pelo conjunto: o método comum, a visão consolidada de todos os projetos e a fila de prioridades. Contratar uma pessoa, chamá-la de PMO e entregar a ela a execução de vários projetos não cria um escritório, cria um gerente de projetos sobrecarregado.
Empresa pequena precisa de PMO?
Em geral não precisa do escritório, e sim das práticas. Em Turner, Ledwith e Kelly (2012), com 123 respostas coletadas sobretudo na Irlanda, no Reino Unido e na Austrália (e nenhuma empresa brasileira identificada), nenhum respondente de micro e 7% dos de pequena classificaram o escritório como essencial, contra 90% dos de micro que apontaram a definição de requisitos. Os autores propõem para as pequenas uma versão simplificada de gestão de projetos, e registram que o escritório é usado por empresas médias e grandes. Na leitura da CGLC, ele faz sentido quando há especialistas disputados por vários projetos.
Quais são os tipos de PMO?
Uma das tipologias mais influentes é a do Gartner Group, de 2000, citada por Kendall e Rollins (2003), com três tipos: repositório de projetos, coach e corporativo. Ela é útil como vocabulário. Convém saber, porém, que Hobbs, Aubry e Thuillier (2008), resumindo o levantamento de Hobbs e Aubry, relatam variedade extrema de forma e função entre PMOs reais, e escrevem que as tentativas de reduzir essa variedade a poucos modelos falharam. Aubry e colegas (2010) acrescentam que a realidade dos casos que estudaram não sustenta uma progressão regular rumo a um PMO melhor.
Quanto tempo dura um PMO?
Menos do que se imagina. Aubry, Müller, Hobbs e Blomquist (2010) registram que ao menos três levantamentos independentes apontaram idade média de aproximadamente dois anos, e concluem que os PMOs muitas vezes são arranjos temporários com expectativa de vida curta. Dois desses três levantamentos são de praticantes, e não revisados por pares. Os autores declaram que a contribuição do estudo para quem pratica é desafiar o paradigma de considerar a mudança do escritório um sinal de fracasso.
Por onde começar a montar um PMO na PME?
Comece sem criar cargo. Liste todos os projetos que já existem e padronize uma página de definição de requisitos por projeto. Reduza o cronograma a poucos marcos, estabeleça uma revisão quinzenal curta com todos os projetos na mesma mesa e torne visível a disputa por pessoas. Só depois disso atribua a função a alguém, com horas protegidas, e combine desde o início quais práticas precisam virar rotina para que a estrutura deixe de ser necessária.
Fontes e referências
- Aubry, M., Müller, R., Hobbs, B., e Blomquist, T. (2010). Project management offices in transition. International Journal of Project Management, 28(8), 766-778. https://doi.org/10.1016/j.ijproman.2010.05.006
- Hobbs, B., e Aubry, M. (2007). A multi-phase research program investigating project management offices (PMOs): The results of phase 1. Project Management Journal, 38(1), 74-86. https://doi.org/10.1177/875697280703800108
- Hobbs, B., Aubry, M., e Thuillier, D. (2008). The project management office as an organisational innovation. International Journal of Project Management, 26(5), 547-555. https://doi.org/10.1016/j.ijproman.2008.05.008
- Turner, R., Ledwith, A., e Kelly, J. (2012). Project management in small to medium-sized enterprises: Tailoring the practices to the size of company. Management Decision, 50(5), 942-957. https://doi.org/10.1108/00251741211227627
- Nota sobre atribuição e sobre os limites desta leitura. As cerca de setenta e cinco funções de PMO são de Crawford (2004), a tipologia de três tipos é do Gartner Group (2000) por meio de Kendall e Rollins (2003), e a conceituação do PMO que se esvazia é de Pellegrinelli e Garagna (2009): as três são citadas por Aubry e colegas (2010) e não são achados dos autores. Este artigo não detalha os resultados dos 17 casos de Aubry e colegas (2010) nem dos 11 de Hobbs, Aubry e Thuillier (2008). Dos primeiros traz apenas a contagem que o resumo declara, de 35 fatores em seis categorias e três padrões, e a observação dos próprios autores de que a realidade dos casos deles não sustenta uma progressão regular rumo a um PMO melhor. Nenhuma das quatro fontes estudou empresa brasileira.
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Por: Clayton Lambert, engenheiro de produção com trinta anos de indústria, responsável pelo silo de Inovação da CGLC. A CGLC (Centro de Gestão e Liderança Contemporânea) é um laboratório de cocriação de soluções que apoia empresas e líderes no desenvolvimento de lideranças, cultura de inovação e gestão de pessoas.
Publicado em 10/09/2026. Última atualização: 10/09/2026.
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