TRL (Technology Readiness Level, ou nível de maturidade tecnológica) é uma escala de nove degraus que diz o quanto uma tecnologia já foi provada: do princípio observado em pesquisa, no nível 1, ao sistema real funcionando em operação, no nível 9. Ela nasceu na NASA, foi adotada pela Comissão Europeia no programa de pesquisa Horizonte 2020 e chegou às chamadas de financiamento público à inovação.
Este guia explica o que é TRL, descreve os nove níveis com a pergunta prática que cada um faz à PME, mostra o que três estudos revisados por pares examinaram sobre o uso da escala e traz um roteiro de avaliação em cinco passos. O que for método da casa vem marcado no texto.
Resumo rápido
- O que é: uma escala de 1 a 9 que classifica a maturidade de uma tecnologia, dos princípios básicos observados (TRL 1) ao sistema real comprovado em ambiente operacional (TRL 9), na redação da Comissão Europeia.
- De onde vem: desenvolvida na NASA nos anos 1970 como ferramenta padronizada de avaliação de maturidade em sistemas complexos, segundo Olechowski e colegas (2020).
- Os problemas de uso: o mesmo estudo identificou 15 desafios na aplicação da escala, em três categorias: complexidade do sistema, planejamento e revisão, e validade da avaliação.
- Na PME: Rodríguez López e colegas (2023) apontam desvantagens do TRL ligadas à falta de recursos especializados das PMEs e à subjetividade dos métodos atuais de avaliação.
- O vale da morte: Ellwood, Williams e Egan (2022), com seis projetos de desenvolvimento tecnológico, sugerem que atravessar essa fase difícil implica completar cinco processos de inovação distintos e argumentam que há mais de um caminho.
- Como avaliar: roteiro da CGLC em cinco passos, com a regra de que o nível é dado pela evidência do teste mais exigente já feito, e não pela expectativa da equipe.
Na nossa prática: em indústria pequena, a pergunta “em que TRL está o seu projeto?” costuma aparecer pela primeira vez no formulário de um edital, a poucos dias do prazo. O dono responde com o número que acha que o edital quer ver. Depois, na execução, o projeto descobre que estava dois degraus abaixo, e o cronograma estoura justamente na fase de teste em ambiente real.
O que é TRL
TRL é a sigla de Technology Readiness Level. Em português, a norma brasileira ABNT NBR ISO 16290, cujo título trata da definição dos TRL e de seus critérios de avaliação em sistemas espaciais, usa a expressão “níveis de maturidade da tecnologia”. Fora do setor espacial, uma referência muito citada é a lista da Comissão Europeia, publicada no Anexo G do programa Horizonte 2020, que define os nove níveis em termos gerais para os tópicos do programa que mencionam TRL.
Olechowski, Eppinger, Joglekar e Tomaschek (2020) descrevem a origem: a escala foi desenvolvida na NASA nos anos 1970, como ferramenta padronizada de avaliação de maturidade tecnológica para o desenvolvimento de sistemas complexos. Os autores registram também que hoje avaliações de TRL são usadas para tomar decisões de muitos milhões de dólares, na NASA e fora dela.
Leitura da CGLC: o ponto que mais confunde o dono de PME é que o TRL mede a tecnologia, e não o negócio. A lista da Comissão Europeia não tem nenhum nível que pergunte se alguém compra o produto ou se o preço fecha. Mesmo a ressalva do nível 9 para tecnologias facilitadoras essenciais, a fabricação competitiva, trata do ambiente em que o sistema é comprovado, e não da demanda.
Leitura da CGLC: um projeto pode estar em TRL 7 e não ter cliente. Por isso a escala anda junto com testes de mercado, como o MVP, e não no lugar deles.
Os 9 níveis de maturidade tecnológica
A coluna do meio traduz a redação do Anexo G do Horizonte 2020. A coluna da direita é a pergunta que a CGLC usa para conferir, com a equipe da PME, se o nível declarado tem evidência por trás.
| Nível | Definição (Comissão Europeia, Horizonte 2020) | Pergunta de evidência para a PME (critério da CGLC) |
|---|---|---|
| TRL 1 | Princípios básicos observados | Existe um fenômeno ou princípio descrito que sustenta a ideia? |
| TRL 2 | Conceito da tecnologia formulado | A aplicação está descrita por escrito, com o problema que ela resolve? |
| TRL 3 | Prova de conceito experimental | Algum experimento, mesmo de bancada, mostrou que a função principal acontece? |
| TRL 4 | Tecnologia validada em laboratório | Os componentes funcionaram juntos em teste controlado, com resultado registrado? |
| TRL 5 | Tecnologia validada em ambiente relevante | O teste saiu do laboratório e enfrentou condições parecidas com as reais (poeira, vibração, temperatura, usuário de verdade)? |
| TRL 6 | Tecnologia demonstrada em ambiente relevante | Um protótipo próximo do final foi demonstrado nessas condições, e não só uma peça isolada? |
| TRL 7 | Demonstração do protótipo do sistema em ambiente operacional | O protótipo rodou dentro da operação real, na linha, no cliente piloto ou no campo? |
| TRL 8 | Sistema completo e qualificado | O sistema final passou pelos ensaios e certificações exigidos para ser vendido ou usado? |
| TRL 9 | Sistema real comprovado em ambiente operacional | O sistema está em uso regular e o desempenho foi confirmado na operação? |
Para as tecnologias que a Comissão Europeia chama de facilitadoras essenciais, o anexo especifica que, nos níveis 5 e 6, o ambiente relevante é o industrialmente relevante e que, no nível 9, o ambiente operacional é a fabricação competitiva (e cita também o espaço).
Leitura da CGLC: para uma PME industrial, essa ressalva pesa muito, porque um protótipo que funciona na bancada do engenheiro ainda não é TRL 5.
As três faixas da escala
Rodríguez López e colegas (2023) descrevem o TRL como uma classificação da tecnologia segundo a sua maturidade: pesquisa, desenvolvimento ou prontidão de mercado da solução. O diagrama, critério da CGLC, distribui os nove níveis nessas três faixas, com o que costuma mudar de uma para outra na PME.
-
TRL 1 a 3: pesquisa
Do princípio observado à prova de conceito. A pergunta é se a ideia funciona
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TRL 4 a 6: desenvolvimento
Do laboratório ao ambiente relevante. A pergunta é se funciona fora da bancada
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TRL 7 a 9: prontidão de mercado
Do protótipo na operação ao sistema em uso regular. A pergunta é se funciona todo dia
Para que a PME usa o TRL
São três usos principais, e eles pedem cuidados diferentes.
Acesso a fomento. Rodríguez López e colegas (2023) registram que, no acesso a financiamento público, o nível de maturidade da tecnologia é um dos fatores considerados para entrar em chamadas específicas.
Na nossa prática: os editais de subvenção e de cooperação com centros de pesquisa que acompanhamos costumam indicar a faixa de TRL que aceitam, e essa faixa muda de uma chamada para outra. Por isso, a recomendação da CGLC é ler a chamada antes de enquadrar o projeto, e não o contrário.
Decisão de investimento interno. Os mesmos autores lembram que a maioria das empresas industriais, como PMEs e startups, tem recursos muito limitados de tempo, pessoas e dinheiro para os projetos de pesquisa e desenvolvimento e que, para serem competitivas, essas organizações precisam avaliar com cuidado a viabilidade de cada projeto e escolher o que melhor atende às prioridades e necessidades do negócio.
Leitura da CGLC: o TRL ajuda a comparar projetos em estágios diferentes com a mesma régua.
Conversa com parceiros. Leitura da CGLC: universidade, instituto de ciência e tecnologia, cliente piloto e investidor falam a mesma língua quando o projeto se apresenta como “TRL 4, com teste em ambiente relevante previsto para o próximo trimestre”. É o uso mais subestimado. Uma frase dessas economiza a reunião inteira de alinhamento sobre o que já existe e o que é promessa.
Quem está montando o plano de várias frentes de inovação ao mesmo tempo pode cruzar a escala com o roadmap do produto, e quem está começando do zero encontra o passo a passo em como implementar inovação na empresa.
O que a pesquisa examinou sobre a escala
| Estudo | Desenho | O que os autores relatam | Limite do estudo |
|---|---|---|---|
| Olechowski, Eppinger, Joglekar e Tomaschek (2020) | 19 entrevistas com funcionários de sete organizações, seguidas de levantamento com praticantes de TRL usando um experimento de escolha melhor-pior | 15 desafios em três categorias; os de complexidade do sistema foram os mais críticos para os usuários, apesar de já tratados na literatura | Contexto de desenvolvimento de sistemas e projetos de engenharia complexos; a ponte com a PME é leitura da CGLC |
| Ellwood, Williams e Egan (2022) | Pesquisa-ação com os atores de inovação de seis projetos de desenvolvimento tecnológico, com os resultados integrados por avaliação realista | Atravessar o vale da morte implicaria completar cinco processos de inovação distintos, com mais de um caminho possível | Seis projetos; o resultado é um modelo conceitual construído pelos autores |
| Rodríguez López, Alvarez Cabal, Cueto Cuiñas e Ortega Fernández (2023) | Análise da aplicabilidade de metodologias existentes de determinação do TRL por indicadores, com base no estado da arte | O TRL tem desvantagens ligadas à falta de recursos especializados da PME e à subjetividade dos métodos atuais; os autores propõem adaptar as metodologias a organizações com menos recursos | Os autores apresentam o resultado como base para uma abordagem nova, ainda a ser desenvolvida |
A escala é padronizada, a avaliação nem tanto
Olechowski e colegas (2020) partem de uma observação: evidências anedóticas sugeriam que havia desafios associados ao uso do TRL na prática. Para sistematizar a visão de quem usa a escala, fizeram 19 entrevistas com funcionários de sete organizações e identificaram 15 desafios de implementação, agrupados em complexidade do sistema, planejamento e revisão, e validade da avaliação.
Em seguida, priorizaram esses desafios com um levantamento entre praticantes. Os de complexidade do sistema saíram como os mais críticos para os usuários de TRL, apesar de já tratados na literatura. Por fim, os autores identificaram boas práticas e extensões propostas para enfrentá-los.
Leitura da CGLC: a tradução para a PME é direta. Um sistema tem várias partes, e cada uma pode estar num nível diferente. Um sensor pode estar em TRL 6 enquanto o software que lê o sinal dele ainda está em TRL 3. Dar um número só ao conjunto esconde onde está o risco. No roteiro abaixo, a avaliação é feita por componente antes de chegar ao número do sistema.
Na PME, falta gente e sobra subjetividade
Rodríguez López e colegas (2023) apontam que o TRL tem desvantagens ligadas à falta de recursos especializados das PMEs e à subjetividade dos métodos atuais de avaliação. A proposta dos autores é que determinar o TRL de forma objetiva, a partir de indicadores, ajudaria muito na formulação de projetos de pesquisa e desenvolvimento.
O artigo examina se as metodologias existentes de determinação do TRL por indicadores podem ser usadas por organizações com acesso limitado a recursos bibliográficos, e propõe modificações para torná-las aplicáveis a empresas com menos recursos.
Os autores apresentam o resultado como base para uma abordagem nova, mais adequada a essas organizações.
Leitura da CGLC: enquanto não houver um método por indicadores consolidado para a PME, o caminho mais seguro na PME é amarrar cada nível a uma evidência concreta e verificável por alguém de fora da equipe. Ferramentas públicas de autoavaliação, como a calculadora de TRL da UFRGS, ajudam a estruturar as perguntas.
O vale da morte não é uma linha reta
Ellwood, Williams e Egan (2022) estudaram a fase inicial e difícil do desenvolvimento tecnológico conhecida como vale da morte. Eles observam que os estudos anteriores sobre essa fase supunham uma progressão linear, ou davam destaque à contribuição de intermediários que canalizam apoio financiado pelo governo.
Com pesquisa-ação envolvendo todos os atores de inovação da transição, em seis projetos, os autores sugerem que atravessar o vale implica completar com sucesso cinco processos de inovação distintos, e argumentam que existe mais de um caminho para a travessia.
Leitura da CGLC: na escala TRL, a PME costuma sentir esse vale entre o protótipo que funciona em condições controladas e o sistema que roda na operação. A lição que levamos do estudo é não planejar essa passagem como uma progressão linear de etapas técnicas. Na nossa prática, ela exige, ao mesmo tempo, parceiro de teste, cliente piloto, dinheiro para a fase seguinte e alguém que decida o que fica e o que sai do projeto.
Como avaliar o TRL da sua tecnologia em 5 passos
O roteiro é método da CGLC, construído a partir da definição da Comissão Europeia e dos problemas de uso descritos na pesquisa acima.
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1. Delimite a tecnologia
Escreva em uma frase o que está sendo avaliado e para qual aplicação
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2. Quebre em componentes
Liste as partes críticas: material, mecânica, eletrônica, software, processo
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3. Junte a evidência
Para cada parte, o teste mais exigente já feito, com data, condição e resultado
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4. Atribua o nível
O sistema fica no nível da parte menos madura, e não na média
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5. Planeje o próximo teste
Defina o ensaio que sobe um degrau, quem faz, quanto custa e quando
Passo 1: delimite o que está sendo avaliado
“O nosso equipamento novo” não é avaliável. “O sistema de monitoramento de desgaste da ferramenta de corte, aplicado em torno CNC de pequeno porte” é. A frase define a tecnologia e o ambiente onde ela precisa funcionar, e é esse ambiente que vai dizer o que conta como teste relevante nos níveis 5 e 6.
Passo 2: quebre o sistema em componentes
Liste as partes que, se falharem, derrubam o sistema. Na nossa prática, de três a seis componentes bastam para uma PME. Mais do que isso costuma virar planilha que ninguém atualiza.
Passo 3: junte a evidência de cada parte
Para cada componente, registre o teste mais exigente pelo qual ele já passou: onde foi feito, em que condição, com que resultado e quem acompanhou. Teste que não tem registro não conta. É aqui que a avaliação deixa de ser opinião da equipe e vira algo que um avaliador de edital ou um parceiro consegue conferir.
Passo 4: atribua o nível pela parte menos madura
Compare a evidência de cada componente com a tabela dos nove níveis. O sistema recebe o nível da parte mais atrasada. Se a eletrônica está em TRL 6 e o software em TRL 4, o sistema está em TRL 4, porque é ali que ele ainda pode falhar sem aviso.
Passo 5: planeje o teste que sobe um degrau
O resultado da avaliação não é o número, é o próximo ensaio. Para cada componente atrasado, defina o teste que o leva ao nível seguinte, quem executa (a equipe, um laboratório parceiro, um cliente piloto), quanto custa e quando acontece. É esse plano que entra no cronograma do projeto e, quando houver, no formulário do edital.
Exemplo ilustrativo: a metalúrgica e o sensor de desgaste
O caso abaixo é ilustrativo, montado pela CGLC para mostrar o roteiro, e não descreve uma empresa real.
Uma metalúrgica de 40 funcionários desenvolve um sensor que avisa quando a ferramenta de corte precisa ser trocada. A equipe acredita que o sistema esteja em TRL 6, porque o protótipo funcionou em duas máquinas da própria fábrica. Aplicando o roteiro, a conta muda:
| Componente | Teste mais exigente já feito | Nível com evidência |
|---|---|---|
| Sensor de vibração | Duas semanas em dois tornos da fábrica, em condições próximas às de produção, fora da rotina normal da linha | TRL 6 |
| Fixação mecânica | Mesmo teste, sem afrouxar e sem contaminação por fluido de corte | TRL 6 |
| Algoritmo de alerta | Calibrado com dados de uma só ferramenta, em bancada | TRL 4 |
| Painel para o operador | Tela de demonstração, sem teste com operador | TRL 3 |
O sistema está em TRL 3, pela parte menos madura, e não em TRL 6. O próximo passo deixa de ser “vender para o primeiro cliente” e passa a ser testar o painel com três operadores e calibrar o algoritmo com ferramentas de materiais diferentes. É uma conclusão menos animadora e muito mais útil para quem vai pedir recursos ou planejar o ano.
Erros comuns ao usar o TRL
Na leitura da CGLC, estes são os erros mais comuns:
- Dar o número pelo melhor componente. A parte mais avançada puxa a percepção da equipe para cima e esconde o risco.
- Confundir ambiente controlado com ambiente relevante. A bancada do engenheiro e a máquina limpa de teste não são a linha em produção com poeira e operador cansado.
- Enquadrar o projeto no TRL que o edital pede. Se a evidência não sustenta o nível, o problema aparece na execução e na prestação de contas.
- Tratar TRL 9 como sucesso comercial. A escala mede a tecnologia. Demanda e preço se testam por outros caminhos.
- Avaliar uma vez e esquecer. O nível muda a cada teste. Na nossa prática, a revisão acontece a cada marco do projeto, e não só na hora do edital.
Para quem trabalha com digitalização da fábrica, o guia de indústria 4.0 mostra onde a avaliação de maturidade entra antes de investir, e o quadro completo do tema está no guia de cultura de inovação.
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Perguntas frequentes
O que é TRL?
TRL, ou Technology Readiness Level, é uma escala de nove níveis de maturidade tecnológica. Na redação da Comissão Europeia, vai dos princípios básicos observados, no nível 1, ao sistema real comprovado em ambiente operacional, no nível 9. Olechowski e colegas (2020) registram que a escala foi desenvolvida na NASA nos anos 1970.
Quais são os 9 níveis de TRL?
Pela lista do Anexo G do Horizonte 2020: 1, princípios básicos observados; 2, conceito da tecnologia formulado; 3, prova de conceito experimental; 4, tecnologia validada em laboratório; 5, tecnologia validada em ambiente relevante; 6, tecnologia demonstrada em ambiente relevante; 7, demonstração do protótipo do sistema em ambiente operacional; 8, sistema completo e qualificado; 9, sistema real comprovado em ambiente operacional. Nos níveis 5, 6 e 9, o anexo traz ressalvas para as tecnologias facilitadoras essenciais (ambiente industrialmente relevante e fabricação competitiva).
Como saber em que TRL está o meu projeto?
Na leitura da CGLC, a forma mais segura é quebrar o sistema em componentes, registrar o teste mais exigente pelo qual cada um já passou e atribuir ao sistema o nível da parte menos madura. O nível sai da evidência registrada, e não da expectativa da equipe.
O TRL serve para pequenas empresas?
Na leitura da CGLC, serve, com cuidado, e amarrar cada nível a uma evidência verificável reduz a subjetividade. Rodríguez López e colegas (2023) apontam desvantagens ligadas à falta de recursos especializados das PMEs e à subjetividade dos métodos atuais de avaliação, e propõem adaptar métodos baseados em indicadores a organizações com menos recursos.
TRL alto significa que o produto vai vender?
Não. A escala mede a maturidade da tecnologia, e nenhum dos nove níveis da lista da Comissão Europeia avalia demanda ou preço. Na leitura da CGLC, o TRL anda junto com testes de mercado, como o MVP, e não no lugar deles.
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Fontes e referências
- Ellwood, P., Williams, C., & Egan, J. (2022). Crossing the valley of death: Five underlying innovation processes. Technovation, 109, 102162. https://doi.org/10.1016/j.technovation.2020.102162
- Olechowski, A. L., Eppinger, S. D., Joglekar, N., & Tomaschek, K. (2020). Technology readiness levels: Shortcomings and improvement opportunities. Systems Engineering, 23(4), 395-408. https://doi.org/10.1002/sys.21533
- Rodríguez López, N., Alvarez Cabal, J. V., Cueto Cuiñas, M., & Ortega Fernández, F. (2023). Applicability of technology maturity level evaluation methodologies within small- and medium-sized organizations: Prospects and proposals. Systems, 11(8), 387. https://doi.org/10.3390/systems11080387
- Comissão Europeia. (2014). Horizon 2020 Work Programme 2014-2015, General Annexes, G. Technology readiness levels (TRL). Documento oficial (PDF)
- NASA. Technology Readiness Levels. nasa.gov
Por: Clayton Lambert, engenheiro de produção e consultor de transformação e inovação da CGLC. A CGLC (Centro de Gestão e Liderança Contemporânea) é um laboratório de cocriação de soluções que apoia empresas e líderes no desenvolvimento de lideranças, cultura de inovação e gestão de pessoas.
Publicado em 22/10/2026.
A CGLC (Centro de Gestão e Liderança Contemporânea) é um laboratório de cocriação de soluções que apoia empresas e líderes no desenvolvimento de lideranças, cultura de inovação e gestão de pessoas.
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