Liderança

Escuta ativa: o que é, como praticar e o que a pesquisa examinou

Escuta ativa é ouvir uma pessoa com atenção total para compreender o que ela quer dizer e deixá-la saber que foi compreendida, antes de aconselhar ou avaliar. Essa é a definição de trabalho da CGLC, e ela separa escuta ativa de duas coisas parecidas: ficar calado esperando a vez de falar e repetir as palavras do outro como ritual.

Este guia explica o que é escuta ativa, como praticar em cinco passos e o que sete estudos revisados por pares examinaram sobre o tema, inclusive dois resultados pouco confortáveis: a paráfrase isolada não elevou a sensação de ser compreendido, frente ao simples reconhecimento, em um dos experimentos, e a escuta é percebida como benéfica por quem fala, mas pode custar caro a quem ouve. O que for método da casa vem marcado no texto.

Resumo rápido

  • O que é: na definição da CGLC, ouvir para compreender e deixar o outro saber que foi compreendido, antes de aconselhar ou avaliar.
  • O que a meta-análise relata: Kluger et al. (2024), com 664 tamanhos de efeito, relatam correlação de r = 0,39 entre escuta percebida pelo falante e resultados no trabalho. É uma associação; para desempenho, r = 0,36, que cai para r = 0,21 quando se retiram os estudos só de autorrelato.
  • A técnica isolada tem resultado misto: a escuta ativa elevou o sentir-se compreendido frente a conselho e a simples reconhecimento (Weger et al., 2014), mas a paráfrase isolada, frente ao reconhecimento simples, não (Weger, Castle e Emmett, 2010).
  • Treinar ouvir: Itzchakov, Weinstein e Cheshin (2023) relatam, em dois estudos quase-experimentais pequenos, mais conexão com colegas e menos burnout nos treinados, medidos até 3 semanas depois.
  • O custo oculto: Yip e Fisher (2022) descrevem um paradoxo: a escuta beneficia quem fala, mas pode desgastar quem ouve.
  • Como praticar: roteiro de cinco passos da CGLC: preparar, deixar falar, conferir o entendimento, perguntar para entender e fechar com combinado.

Na nossa prática: o gestor de PME costuma achar que escuta bem, porque ouve o dia inteiro. O que ele ouve, em geral, são problemas a resolver. Entre uma ligação e outra, a conversa com o colaborador vira uma fila de decisões, e a pessoa sai com a resposta que o gestor deu e sem a sensação de ter sido entendida.

O que é escuta ativa e o que ela não é

Yip e Fisher (2022) atribuem o conceito de escuta ativa a Carl Rogers e citam a ideia central como entrar no ponto de vista de quem fala para captar o que ele quer comunicar. A revisão deles identifica duas metas do ouvinte: acurácia, que é compreender corretamente o significado que o falante pretende transmitir, e apoio, que é demonstrar interesse, atenção e cuidado com o bem-estar de quem fala.

Os autores também registram um alerta: a paráfrase, vista como aspecto-chave da escuta ativa rogeriana, foi às vezes caricaturada como simples repetição do que o falante disse, uma imitação de escuta de boa qualidade. É por isso que a definição da CGLC não termina em “repetir”. A tabela separa situações que costumam ser chamadas de escuta ativa no dia a dia.

Situação É escuta ativa? (critério da CGLC) Por quê
Olhar para o colaborador, concordar com a cabeça e já preparar a resposta Não, é esperar a vez A atenção está na resposta do gestor, e não no que a pessoa quis dizer
“Então o problema é o prazo do cliente, não o time. Entendi certo?” Sim Reformula com palavras próprias e dá à pessoa a chance de corrigir
“Você disse que está sobrecarregado.” e mais nada Depende Repetir sem checar o entendimento pode ser só ritual
“Faz assim que resolve”, antes de a pessoa terminar Não, é conselho precoce A compreensão ainda não foi checada
Perguntas que conduzem a pessoa à resposta que o gestor já tem Não, é condução A pergunta serve ao gestor, e não ao entendimento

Sobre perguntas, a literatura ainda discute. Yip e Fisher (2022) registram que considerar o ato de perguntar um indicador de escuta é um debate em aberto, porque é possível fazer uma pergunta e não ouvir a resposta. Leitura da CGLC: a pergunta só conta como escuta quando o que a pessoa respondeu altera o que o gestor diz depois.

A escuta ativa é a base de conversas como o feedback SCI e a reunião one on one, e o quadro mais amplo de formação de líderes está no guia de desenvolvimento de lideranças.

O que a pesquisa examinou sobre escuta no trabalho

A pesquisa sobre escuta é dispersa. Yip e Fisher (2022) revisaram a literatura de 2000 a 2021 em três disciplinas, gestão, psicologia e estudos de comunicação, e identificaram 117 artigos revisados por pares, dos quais 98 (84%) eram estudos empíricos. Segundo os autores, a pesquisa se divide em três perspectivas: a escuta percebida, a experiência de quem ouve e as estruturas de escuta nas organizações.

O trabalho mais amplo sobre os efeitos da escuta percebida é a meta-análise de Kluger et al. (2024). Kluger et al. definem escuta percebida como a avaliação do falante sobre o interesse e a reação do ouvinte ao que ele diz. Isso importa para a PME: o que foi medido é a impressão de quem fala, e não a técnica de quem ouve.

Os autores reuniram 122 artigos, 144 amostras independentes e 664 tamanhos de efeito, com 400.020 observações de 155.143 indivíduos.

Estudo Desenho e amostra O que os autores relatam Limite do estudo
Kluger et al. (2024) Meta-análise registrada, 664 tamanhos de efeito, 400.020 observações Correlação média de r = 0,39 (IC 95% de 0,36 a 0,43) entre escuta percebida e resultados no trabalho Associação; 73,3% dos efeitos vinham de questionário respondido por uma só pessoa
Weger et al. (2014) Experimento, 115 participantes, 10 confederados treinados, interações iniciais Quem recebeu respostas de escuta ativa se sentiu mais compreendido que quem recebeu conselho ou simples reconhecimento Em satisfação com a conversa, escuta ativa e conselho não diferiram
Weger, Castle e Emmett (2010) Experimento, 180 universitários, entrevistas entre pares A paráfrase se associou à atratividade social do ouvinte Sem associação com satisfação nem com sentir-se compreendido
Itzchakov, Kluger e Castro (2017) Quatro experimentos de laboratório Apoio consistente à hipótese de que a escuta de alta qualidade altera a estrutura das atitudes do falante Tópicos de atitude em laboratório, longe de decisões de trabalho
Lloyd, Boer e Voelpel (2017) Levantamento com 250 empregados alemães de várias profissões Escuta do supervisor tratada como competência de liderança, via troca líder-liderado (LMX) Levantamento: associação, não causa
Itzchakov, Weinstein e Cheshin (2023) Dois quase-experimentos de campo, N = 51 e N = 73 Treino de escuta associado a mais conexão com colegas, menos burnout e menor intenção de sair (medida só no segundo estudo), até 3 semanas depois Autorrelato, amostras pequenas, 3 semanas de acompanhamento

O que a meta-análise relata, e o que ela não permite dizer

Kluger et al. (2024) relatam r = 0,39 entre escuta percebida e resultados no trabalho, e r = 0,44 depois de corrigir a falta de confiabilidade das medidas. Esse número é uma correlação. Não significa que escutar melhora o resultado em 39%. Há três pontos de atenção, dois deles advertidos pelos próprios autores.

O primeiro é a fonte do dado. Os autores ressalvam que contrastes particulares entre valores das tabelas são hipóteses a testar, e não evidência robusta. Segundo a meta-análise, 73,3% dos tamanhos de efeito vinham de desenhos em que uma só pessoa respondeu tudo, e a correlação foi mais fraca quando as fontes eram diferentes (r = 0,26) do que quando a fonte era a mesma (r = 0,43).

Quando se retiraram os estudos apoiados só em questionário de autorrelato, a correlação entre escuta e desempenho no trabalho ficou em r = 0,21. Os autores alertam que, sem estabelecer a validade discriminante das medidas de escuta, os resultados podem refletir os benefícios de bons relacionamentos, e não o benefício específico da escuta.

O segundo é a variação. O intervalo de predição foi de aproximadamente -0,12 a 0,90, e 5,4% dos efeitos extraídos foram negativos. Em casos raros, a escuta teve associação negativa com resultados desejáveis.

O terceiro é o contexto. Os autores não encontraram diferença entre os desenhos experimentais (r = 0,39) e os correlacionais (r = 0,40), mas registram que o desenho preditivo (r = 0,27) ficou abaixo do concorrente (r = 0,42). Quanto à origem dos dados, os Estados Unidos responderam por 298 dos 651 efeitos classificados por país, e o Brasil por apenas um.

Kluger et al. (2024) relatam associação maior com a qualidade da relação (r = 0,51) do que com o desempenho (r = 0,36). Os autores ressalvam que contrastes particulares entre valores das tabelas devem ser tomados como hipóteses a testar, e não como evidência robusta; só o padrão geral é confiável.

Leitura da CGLC: para o dono de PME brasileira, o dado útil da meta-análise é a direção, e não o tamanho. Escuta percebida anda junto de bons resultados em estudos feitos sobretudo nos Estados Unidos e em Israel. A meta-análise mede a escuta percebida pelo falante, e não a técnica de escuta ativa.

Roteiro de escuta ativa em 5 passos

Leitura da CGLC: o roteiro abaixo é método da casa, montado a partir da definição acima e dos elementos que os estudos examinaram: compreensão correta, apoio a quem fala e checagem do entendimento. Os cinco passos não são resultado de pesquisa.

  1. 1. Preparar

    Tempo reservado, celular fora da mão e uma pergunta aberta para começar

  2. 2. Deixar falar

    Sem interromper e sem conselho: o objetivo é entender o ponto de vista da pessoa

  3. 3. Conferir o entendimento

    Dizer com palavras próprias o que entendeu e perguntar: “entendi certo?”

  4. 4. Perguntar para entender

    Perguntas abertas sobre o que ficou vago, sem conduzir à resposta do gestor

  5. 5. Fechar com combinado

    Resumir o que foi dito e combinar quem faz o quê e quando se fala de novo

Roteiro de escuta ativa da CGLC (método da casa) em cinco passos.
Passo (método da CGLC) Frase que ajuda Frase que atrapalha
1. Preparar “Reservei meia hora. O que está pesando mais?” “Fala rápido, que tenho uma reunião.”
2. Deixar falar Silêncio e um aceno; “pode continuar” “Já sei onde isso vai dar.”
3. Conferir o entendimento “Entendi que o prazo do cliente é o problema. Foi isso?” “Você disse que está sobrecarregado.” e mais nada
4. Perguntar para entender “O que você quer dizer com prazo apertado?” “Você não acha que o certo seria avisar antes?”
5. Fechar com combinado “Eu cuido da data com o cliente; você me traz o plano até quinta.” “Vou pensar no que fazer.”

Passo 1: preparar

Escuta ativa pede atenção, e atenção é um recurso escasso. Reserve o horário, deixe o celular virado para baixo e comece com uma pergunta aberta, como “o que está pesando mais para você esta semana?”. Conversa de corredor serve para recado, e não para ouvir alguém.

Passo 2: deixar falar

Fale pouco. No treino de escuta avaliado por Itzchakov, Weinstein e Cheshin (2023), os instrutores ensinavam os participantes a evitar dar conselhos, comentários, feedback ou sugestões uns aos outros. Até frases como “concordo com o que fulano disse” eram desencorajadas, porque uma avaliação positiva também é considerada uma forma de julgamento. Na nossa prática: para o gestor, que está acostumado a responder, esse é o passo mais difícil.

Passo 3: conferir o entendimento

Aqui está a parte da escuta ativa que a pesquisa sobre paráfrase deixa em aberto. Weger et al. (2014) relatam que, em interações iniciais, respostas de escuta ativa fizeram os participantes se sentirem mais compreendidos do que conselho ou simples reconhecimento.

Já no experimento de Weger, Castle e Emmett (2010), a paráfrase sozinha não se associou a sentir-se compreendido. Leitura da CGLC: os dois estudos não permitem dizer por que o resultado difere, mas o contraste sugere cuidado com o ritual de repetir. Na prática, a checagem vale quando o gestor devolve o sentido com palavras próprias e deixa a pessoa corrigir.

Passo 4: perguntar para entender

Prefira perguntas abertas sobre o que ficou vago: “o que você quer dizer com prazo apertado?”. Evite a pergunta que já traz a resposta. Pela discussão registrada por Yip e Fisher (2022), perguntar, por si só, não garante que se está ouvindo.

Passo 5: fechar com combinado

Termine resumindo o que foi dito e combinando o próximo passo. Na nossa prática: o combinado é o que separa uma conversa acolhedora de uma conversa que muda alguma coisa. Se o gestor ouviu e nada se mexeu, a pessoa aprende que falar não adianta.

Erros comuns na escuta ativa

  • Transformar a técnica em ritual. Repetir frases do outro é a caricatura que Yip e Fisher (2022) descrevem. Leitura da CGLC: a repetição só vale quando vem com a checagem do entendimento.
  • Aconselhar antes de compreender. No experimento de Weger et al. (2014), conselho e escuta ativa não diferiram em satisfação com a conversa, mas a escuta ativa deixou as pessoas mais compreendidas. Leitura da CGLC: conselho dado antes da compreensão tende a responder à pergunta errada.
  • Ouvir e não mudar nada. Leitura da CGLC: se a conversa não altera nenhuma decisão do gestor, a pessoa aprende que falar não adianta, e a escuta vira cortesia.
  • Ignorar o custo de ouvir. Yip e Fisher (2022) descrevem um paradoxo: a escuta é percebida como benéfica por quem fala, mas pode ser experimentada como custosa e desgastante por quem ouve, o que ajuda a explicar por que as pessoas têm dificuldade de ouvir justamente quando é mais necessário.
  • Usar a escuta como vigilância. Yip e Fisher (2022) registram que as estruturas formais de escuta nas organizações, como canais e pesquisas, podem reforçar estruturas de poder existentes e criar oportunidades de vigilância indesejada.

Como saber se a escuta está funcionando

Yip e Fisher (2022) observam que os falantes são os árbitros da escuta percebida. Leitura da CGLC: a medida mais direta, portanto, é perguntar a quem falou. No fim de uma reunião one on one, três perguntas curtas bastam: “você sentiu que eu entendi o que você quis dizer?”, “faltou dizer alguma coisa?” e “o que você espera que eu faça com isso?”. Registre as respostas ao longo de algumas semanas.

Pergunta de fim de conversa (método da CGLC) O que ela checa
“Você sentiu que eu entendi o que você quis dizer?” Compreensão percebida por quem falou
“Faltou dizer alguma coisa?” Se a pessoa teve espaço para terminar
“O que você espera que eu faça com isso?” Se há combinado, ou só desabafo

Há um limite. A meta-análise de Kluger et al. (2024) relata que a maior parte da literatura depende de autorrelato, e os próprios autores advertem para o risco de confundir escuta com qualidade geral da relação. Pergunta de fim de conversa é um termômetro, e não uma prova.

Treinar a escuta de equipes: o que a pesquisa examinou?

Itzchakov, Weinstein e Cheshin (2023) relatam dois quase-experimentos de campo. No primeiro (N = 51), funcionários de equipes de uma empresa de tecnologia receberam 12 horas de treino de escuta e foram comparados a colegas de outras equipes da mesma empresa, que ficaram em lista de espera.

No segundo (N = 73), um treino de 15 horas foi aplicado a atendentes de uma seguradora em duas filiais e comparado a um grupo-controle ativo, que teve palestras sobre temas de trabalho.

Segundo os autores, logo depois do treino e três semanas depois, receber o treino se associou a maior conexão com os colegas (relatedness), a menos burnout e a menor intenção de deixar a empresa, medida no segundo estudo. Todas as medidas foram escalas de autorrelato, aplicadas em três momentos.

Os limites também constam do artigo. O primeiro estudo usou uma comparação mínima, sujeita a confusões decorrentes da maior interação entre colegas dentro do próprio curso. A estabilidade do efeito ainda precisa de pesquisa, e a conclusão deve ser lida com cautela. Os resultados são de nível individual, porque as pessoas vinham de poucas equipes e a análise por equipe não foi possível.

Leitura da CGLC: o achado é promissor, mas de amostras pequenas. Dá apoio a tratar a escuta como algo treinável, mas não sustenta prometer que um curso de escuta reduz a rotatividade da sua PME. Nenhum dos sete estudos citados foi conduzido em PME brasileira, e o prazo máximo de acompanhamento foi de três semanas.

Em laboratório, Itzchakov, Kluger e Castro (2017) relatam apoio consistente, em quatro experimentos que manipularam a experiência de escuta de formas diferentes, às hipóteses de que a escuta de alta qualidade, empática e sem julgamento, reduz a ansiedade social de quem fala, o que reduz o processamento defensivo e aumenta a consciência das próprias contradições.

Leitura da CGLC: os tópicos eram de atitude, e não decisões de trabalho. O que se pode tirar é que, em laboratório, ser ouvido sem julgamento alterou a estrutura das atitudes sobre o tópico testado, e não que a pessoa passa a concordar com o gestor.

Sobre a escuta do chefe em si, Lloyd, Boer e Voelpel (2017) estudaram 250 empregados alemães e tratam a escuta do supervisor como candidata a competência-chave de liderança, que atuaria por meio de uma troca líder-liderado forte. Os autores concluem que a escuta percebida do supervisor traz valor para pesquisas futuras sobre a interação entre supervisor e empregado. É um sinal para continuar investigando, não uma regra de gestão.

Quando o assunto da conversa é uma divergência, a escuta ativa é o primeiro passo do roteiro da gestão de conflitos. Para o lado emocional de quem lidera, veja o artigo sobre inteligência emocional na liderança.

Seus líderes ouvem muito e entendem pouco? No Programa de Desenvolvimento de Lideranças da CGLC, líderes de PME treinam conversas de escuta, feedback e delegação com casos da própria empresa. Conheça o programa e veja como ele se aplica ao seu time.

Perguntas frequentes

O que é escuta ativa?

Na definição de trabalho da CGLC, é ouvir uma pessoa com atenção total para compreender o que ela quer dizer e deixá-la saber que foi compreendida, antes de aconselhar ou avaliar. Yip e Fisher (2022) descrevem duas metas do ouvinte: compreender corretamente o significado e demonstrar interesse e cuidado com quem fala.

Quais são as técnicas de escuta ativa?

Leitura da CGLC: as técnicas se resumem a deixar falar sem interromper, conferir o entendimento com palavras próprias, perguntar para entender e fechar com um combinado. Os estudos examinaram o pacote de respostas e um elemento isolado, com resultados mistos: Weger et al. (2014) relatam que respostas de escuta ativa fizeram os participantes se sentirem mais compreendidos, e Weger, Castle e Emmett (2010) não encontraram essa associação para a paráfrase sozinha.

Escuta ativa melhora o desempenho da equipe?

A meta-análise de Kluger et al. (2024) relata correlação de r = 0,39 entre escuta percebida pelo falante e resultados no trabalho, e, para desempenho, de r = 0,36, que cai para r = 0,21 quando se retiram os estudos só de autorrelato. É uma associação, medida na percepção de quem fala, e não um efeito da técnica sobre o desempenho.

Repetir o que a pessoa disse é escuta ativa?

Não por si só. Yip e Fisher (2022) registram que a paráfrase foi às vezes caricaturada como simples repetição, e Weger, Castle e Emmett (2010) não encontraram associação da paráfrase com sentir-se compreendido. Leitura da CGLC: o que conta é checar o entendimento e deixar a pessoa corrigir.

Treinar a escuta reduz a rotatividade?

Itzchakov, Weinstein e Cheshin (2023) treinaram funcionários de equipes e relatam que o treino de escuta se associou a menor intenção de deixar a empresa em um dos dois quase-experimentos, com autorrelato e acompanhamento de três semanas. Intenção de sair não é saída efetiva. Leitura da CGLC: o dado não permite prometer redução de rotatividade na PME.

Outros artigos relacionados

Fontes e referências

  • Itzchakov, G., Kluger, A. N., & Castro, D. R. (2017). I am aware of my inconsistencies but can tolerate them: The effect of high quality listening on speakers’ attitude ambivalence. Personality and Social Psychology Bulletin, 43(1), 105-120. https://doi.org/10.1177/0146167216675339
  • Itzchakov, G., Weinstein, N., & Cheshin, A. (2023). Learning to listen: Downstream effects of listening training on employees’ relatedness, burnout, and turnover intentions. Human Resource Management, 62(4), 565-580. https://doi.org/10.1002/hrm.22103
  • Kluger, A. N., Lehmann, M., Aguinis, H., Itzchakov, G., Gordoni, G., Zyberaj, J., & Bakac, C. (2024). A meta-analytic systematic review and theory of the effects of perceived listening on work outcomes. Journal of Business and Psychology, 39(2), 295-344. https://doi.org/10.1007/s10869-023-09897-5
  • Lloyd, K. J., Boer, D., & Voelpel, S. C. (2017). From listening to leading: Toward an understanding of supervisor listening within the framework of leader-member exchange theory. International Journal of Business Communication, 54(4), 431-451. https://doi.org/10.1177/2329488415572778
  • Weger, H., Castle Bell, G., Minei, E. M., & Robinson, M. C. (2014). The relative effectiveness of active listening in initial interactions. International Journal of Listening, 28(1), 13-31. https://doi.org/10.1080/10904018.2013.813234
  • Weger, H., Castle, G. R., & Emmett, M. C. (2010). Active listening in peer interviews: The influence of message paraphrasing on perceptions of listening skill. International Journal of Listening, 24(1), 34-49. https://doi.org/10.1080/10904010903466311
  • Yip, J. A., & Fisher, C. M. (2022). Listening in organizations: A synthesis and future agenda. Academy of Management Annals, 16(2), 657-679. https://doi.org/10.5465/annals.2020.0367

Por: Wilma Morais, psicóloga e executive coach na CGLC. A CGLC (Centro de Gestão e Liderança Contemporânea) é um laboratório de cocriação de soluções que apoia empresas e líderes no desenvolvimento de lideranças, cultura de inovação e gestão de pessoas.

Publicado em 20/10/2026.

A CGLC (Centro de Gestão e Liderança Contemporânea) é um laboratório de cocriação de soluções que apoia empresas e líderes no desenvolvimento de lideranças, cultura de inovação e gestão de pessoas.

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