Liderança

Feedback SCI: o que é, como aplicar e o roteiro da conversa

O feedback SCI é um roteiro de três passos para a conversa de feedback: descrever a situação em que algo aconteceu, descrever o comportamento que foi observado e descrever o impacto que ele teve. Três frases, nessa ordem, sem adjetivo sobre a pessoa.

Parece pouco. É pouco de propósito. Leitura da CGLC: a conversa costuma falhar por excesso, e não por falta. Sobra interpretação sobre quem a pessoa é e falta descrição do que ela fez. Essa é a nossa tese, e não achado de nenhuma das fontes citadas aqui. Este guia mostra o que é cada um dos três passos, o roteiro da conversa, o que o método não resolve e por onde começar na segunda-feira.

Resumo rápido

  • SCI é SBI traduzido. O modelo vem do Center for Creative Leadership, instituição americana de pesquisa em liderança, com o nome Situation-Behavior-Impact. O CCL é a origem do método e não é fonte revisada por pares, então ele entra aqui pela definição, nunca como evidência.
  • Feedback não melhora desempenho por definição. Kluger e DeNisi (1996), reunindo 607 tamanhos de efeito e 23.663 observações, relatam que a meta-análise sugere que as intervenções melhoraram o desempenho em média, com d = 0,41, e que, no mesmo conjunto, mais de um terço delas piorou o desempenho. O estudo é sobre intervenções de feedback em geral e não testa o modelo SCI.
  • O mecanismo proposto explica por que a descrição importa. Nos resultados dos mesmos autores, a eficácia parece cair conforme a atenção se afasta da tarefa e se aproxima do self de quem recebe o feedback. A ponte entre esse achado e o desenho do SCI é da CGLC, e não dos autores.
  • Especificar nem sempre ajuda, e este é o achado desconfortável. Goodman e Wood (2004), num experimento de transferência sobre uma tarefa, relatam que feedback mais específico foi benéfico para aprender a responder ao bom desempenho e prejudicial para aprender a responder ao desempenho ruim. Não é um estudo de conversa entre chefe e liderado.
  • O sanduíche não foi a sequência mais eficaz no teste. Henley e DiGennaro Reed (2015) compararam sequências de feedback e relatam que o sanduíche não foi a mais eficaz. A amostra é de estudantes de graduação em tarefas de escritório simuladas, não de gestores em empresa.
  • O método não cria sozinho o ambiente, e esta conclusão é da CGLC. Steelman, Levy e Snell (2004) desenvolveram e validaram uma escala para medir o ambiente de feedback de uma organização, o que sugere que o contexto do dia a dia é tratado como construto próprio, separado do evento da conversa. Eles não avaliam roteiro de conversa nenhum.
  • O que a CGLC propõe: escrever as três frases antes de entrar na sala e cortar todo adjetivo que descreva a pessoa em vez da ação.

O que é o feedback SCI

Feedback SCI é um roteiro que organiza a conversa em três descrições, nesta ordem: situação, comportamento e impacto. A sigla é a tradução brasileira de SBI, de Situation-Behavior-Impact, modelo do Center for Creative Leadership, instituição americana dedicada à pesquisa e ao desenvolvimento de liderança.

Vale marcar de saída o que essa origem autoriza e o que não autoriza. O CCL é quem definiu o método e é a referência correta para dizer o que o SCI é. O CCL não é literatura revisada por pares, então ele não sustenta nenhuma afirmação sobre eficácia. Tudo o que este artigo apresenta como evidência vem das sete referências listadas no fim, e nenhuma delas testou o SCI. O que é leitura ou prática nossa está marcado como tal, caso a caso.

O que o roteiro faz, na prática, é impedir três frases que quase todo gestor já disse. “Você anda desengajado” não é comportamento, é diagnóstico. “A equipe está achando você difícil” não é impacto, é boato. “Ultimamente você não está bem” não é situação, é generalização sem data. O SCI obriga a trocar as três por descrições verificáveis.

Passo A pergunta que ele responde O que costuma sair no lugar
S de Situação Quando e onde foi? Um momento específico, com data e contexto “Sempre que tem prazo apertado”. Generalização, não episódio que a pessoa possa reconstituir
C de Comportamento O que a pessoa fez ou disse? Um verbo de ação, do jeito que uma câmera registraria “Você foi grosso”. Adjetivo sobre a pessoa, não descrição da ação
I de Impacto Qual foi a consequência? Para o trabalho, para o time ou para o cliente “Isso é inaceitável”. Julgamento sobre o ato, não consequência observada
Tabela 1. Os três passos do SCI. Os nomes dos passos são do modelo do Center for Creative Leadership; as perguntas da segunda coluna e os exemplos da terceira são da CGLC, a partir do que vemos em conversa de gestor de PME.

Na nossa prática: a coluna que mais dói é a do meio. Quase todo gestor que se senta para escrever o C descobre que não tem um comportamento, tem uma impressão acumulada de várias semanas. Quando não dá para escrever o que a câmera veria, o problema não é o roteiro. É que a observação não foi feita.

Por que o formato importa: o achado que quase ninguém cita

Existe uma suposição silenciosa por trás de boa parte do conteúdo sobre feedback: a de que dar feedback é, no mínimo, inofensivo. A meta-análise de referência da área aponta o contrário.

Kluger e DeNisi (1996) reuniram 607 tamanhos de efeito e 23.663 observações sobre intervenções de feedback. A meta-análise sugere que as intervenções melhoraram o desempenho em média, com d = 0,41, e que, no mesmo conjunto, mais de um terço delas reduziu o desempenho. Os autores registram que esse resultado não se explica por erro de amostragem, pelo sinal do feedback (elogio ou crítica) nem pelas teorias disponíveis à época.

A explicação que eles propõem é sobre onde a atenção da pessoa vai parar. A suposição central da teoria que eles apresentam é que a intervenção de feedback desloca o foco da atenção entre três níveis de controle, organizados em hierarquia. O resultado é que a eficácia parece cair conforme a atenção sobe nessa hierarquia, para mais perto do self e mais longe da tarefa (self, em glosa nossa, é a própria pessoa que recebe o feedback).

  1. 1. Aprendizado da tarefa

    O nível mais próximo do trabalho. Na conversa, é quando a pessoa sai sabendo o que fazer diferente na próxima vez. Esta glosa é nossa

  2. 2. Motivação para a tarefa

    O nível intermediário, um passo acima. Na conversa, é quando a pessoa sai querendo entregar mais, sem que tenha ficado claro o que muda na prática. Esta glosa é nossa

  3. 3. Processos meta-tarefa, incluindo os ligados ao self

    O nível mais distante do trabalho. Na conversa, é quando a pessoa sai pensando em si mesma: se é competente, se está ameaçada, o que o chefe acha dela. Esta glosa é nossa

Diagrama 1. A hierarquia de atenção proposta por Kluger e DeNisi (1996). Os nomes dos três níveis são dos autores; toda a glosa que começa por “Na conversa” é da CGLC, porque a fonte foi lida em resumo e o resumo traz os três nomes sem definição. Os autores registram que características da tarefa, que segundo eles continuam pouco compreendidas, ainda moderam esses efeitos.

Leitura da CGLC, e a ponte aqui é nossa: o SCI é, em essência, um dispositivo para manter a conversa no nível 1. “Na reunião de terça, você interrompeu o cliente três vezes, e ele parou de detalhar o problema” mantém a atenção na tarefa. “Você é atropelador” empurra a atenção direto para o nível 3. O estudo deles é sobre intervenções de feedback em geral e não testa o modelo SCI. O que a meta-análise oferece é o mecanismo; a aplicação ao roteiro é leitura nossa.

Vale acrescentar que essa preocupação não nasceu em 1996. Ilgen, Fisher e Taylor (1979) já haviam revisado a literatura de feedback em organizações e argumentado que o feedback não é um estímulo simples, e que ele influencia o comportamento por um processo que passa pela percepção da mensagem, por sua aceitação por quem a recebe e pela disposição dessa pessoa para responder a ela. É uma revisão conceitual de 1979 e entra aqui por isso, e não por magnitude de efeito.

O roteiro da conversa, passo a passo

O erro mais comum de quem aprende o SCI num treinamento é tratá-lo como técnica de sala, a ser improvisada na hora. Na nossa prática, o método só funciona quando as três frases são escritas antes. O diagrama abaixo é o roteiro que usamos com gestores no Programa de Lideranças, e ele é inteiramente nosso.

  1. Antes: escreva as três frases

    Uma linha para a situação, uma para o comportamento, uma para o impacto. Se a do meio não couber em verbo de ação, adie a conversa e volte a observar. Escrever antes é o que impede o improviso de virar julgamento

  2. Durante: diga as três, na ordem, e pare

    Situação, comportamento, impacto. Depois do impacto, silêncio. O silêncio é parte do método: é nele que a pessoa reconstitui o episódio e responde. Quem emenda a quarta frase costuma emendar o julgamento

  3. Durante: pergunte pela intenção

    O impacto que você viu pode não ser o que a pessoa quis causar. Perguntar o que ela pretendia naquele momento separa o efeito da intenção, e muda a conversa de acusação para investigação

  4. Depois: combine o próximo comportamento observável

    Não “seja mais colaborativo”, e sim o que será feito de diferente na próxima situação parecida, com data para olhar de novo. Sem isso a conversa termina em concordância e recomeça igual no mês seguinte

Diagrama 2. O roteiro da conversa. Este diagrama é inteiramente da CGLC, construído a partir do que observamos em programas de liderança com PMEs. Nenhuma das fontes citadas neste artigo propõe ou testa este roteiro.

Na nossa prática, o passo do combinado no fim não é enfeite.

Leitura da CGLC: lemos um apoio indireto para isso numa fonte, e em uma só. Smither, London e Reilly (2005), em meta-análise de 24 estudos longitudinais, relatam que a melhora nas avaliações ao longo do tempo é, em geral, pequena. Segundo os autores, ela é mais provável quando quem recebe o feedback percebe a necessidade de mudar, acredita que a mudança é viável, define metas apropriadas para regular o próprio comportamento e toma ações que levem à melhora.

A ressalva de escopo é importante: esse estudo é sobre feedback de múltiplas fontes, do tipo 360, e não sobre a conversa a dois que o SCI descreve. Se você trabalha com esse formato, o guia de avaliação 360 trata dele.

Leitura da CGLC: a conversa que termina sem combinado termina sem as duas últimas condições daquela lista, que são definir metas para regular o próprio comportamento e tomar ações que levem à melhora. Essa transposição para a conversa a dois é nossa, e não deles.

O que o SCI não resolve

Conteúdo de método costuma parar no elogio. Três limites merecem estar na mesa antes de você adotar o SCI como padrão da casa.

Limite O que a fonte relata O que a fonte NÃO autoriza afirmar
Especificar nem sempre ajuda Goodman e Wood (2004): mais especificidade ajudou a aprender a responder ao bom desempenho e prejudicou o aprendizado de responder ao desempenho ruim Nada sobre conversas de feedback entre gestor e liderado. É experimento de transferência sobre uma tarefa, e não testa o SCI
O evento não é o ambiente Steelman, Levy e Snell (2004): o ambiente de feedback de uma organização é tratado como construto próprio, com escala validada para medi-lo Nada sobre eficácia de um roteiro de conversa. É um artigo de desenvolvimento e validação de escala
Quem tem mais tempo de casa tende a pedir menos Anseel e colegas (2015): tempo de casa, tempo no cargo e idade aparecem negativamente relacionados a buscar feedback Nada sobre quem feedback. A meta-análise é sobre o comportamento de buscar feedback, e não avalia o SCI
Tabela 2. Os três limites, com o que cada fonte sustenta e o que não sustenta. A organização da tabela e a terceira coluna são da CGLC; essa coluna existe porque nenhuma das sete fontes deste artigo testou o modelo SCI, e essa fronteira precisa aparecer junto de cada achado.

Especificar nem sempre ajuda

O SCI vende especificidade como virtude, e na nossa leitura Goodman e Wood (2004) complicam isso. Num experimento de transferência, eles relatam que aumentar a especificidade do feedback é em geral benéfico para o desempenho imediato, mas pode minar aspectos do aprendizado necessário para um desempenho posterior mais independente.

O resultado que mais interessa aqui é assimétrico: feedback mais específico foi benéfico para aprender a responder ao bom desempenho e prejudicial para aprender a responder ao desempenho ruim. Segundo os autores, a primeira dessas relações foi parcialmente mediada pelo efeito da especificidade sobre as oportunidades de aprender durante a prática.

A ressalva de escopo, e ela é grande: trata-se de um experimento sobre uma tarefa, não de um estudo sobre conversas de feedback entre gestor e liderado, e não testa o SCI. Leitura da CGLC: o cuidado que tiramos disso é não transformar o SCI em receita de microinstrução. Descrever o comportamento com precisão é útil. Dizer exatamente o que fazer no lugar, toda vez, pode custar o aprendizado que só vem de a pessoa descobrir sozinha.

O método é um evento, o ambiente é outra coisa

Steelman, Levy e Snell (2004) desenvolveram e validaram a Feedback Environment Scale, uma escala para medir o ambiente de feedback de uma organização, apresentada como ferramenta para diagnóstico e treinamento de gestores nessa área. Os autores relatam que a análise fatorial confirmatória sustentou o modelo de medida previsto e que os resultados dão apoio inicial à validade de construto, além de evidência de consistência interna, confiabilidade teste-reteste e validade discriminante das facetas.

Leitura da CGLC: lemos a existência dessa escala como sinal de que o contexto cotidiano de feedback é um construto próprio e mensurável, distinto do evento isolado da conversa. O resumo não traz essa separação, e o trabalho não avalia roteiro de conversa nenhum.

Na nossa prática: o SCI bem aplicado numa empresa em que ninguém nunca fala nada vira um susto. O roteiro organiza a frase; ele não constrói sozinho o hábito de conversar. Construir esse hábito é trabalho de desenvolvimento de lideranças, e não de técnica.

Quem tem mais tempo de casa tende a pedir menos

Anseel, Beatty, Shen, Lievens e Sackett (2015), em meta-análise sobre busca de feedback, relatam que tempo de casa, tempo no cargo e idade estão negativamente relacionados ao comportamento de buscar feedback, enquanto orientação para aprendizagem, propensão a buscar feedback externo, frequência de feedback positivo, autoestima alta, estilo de liderança transformacional e uma relação de alta qualidade aparecem associados positivamente.

Os mesmos autores destacam dois resultados que, segundo eles, contrariam visões dominantes na área: a relação entre incerteza e busca de feedback foi negativa, e a relação entre essa busca e o desempenho foi pequena.

A ressalva de escopo: esse estudo é sobre quem pede feedback, não sobre quem , e não avalia o SCI. Leitura da CGLC: ainda assim esse achado muda a rotina do gestor. Se quem tem mais tempo de casa tende a pedir menos, esperar que o pedido chegue significa conversar menos justamente com quem está há mais tempo no cargo. A conversa precisa ser agendada, não aguardada.

O sanduíche, e por que o SCI não é ele

Muita gente aprende o SCI como uma versão elegante do feedback sanduíche, aquele de elogiar, criticar e elogiar de novo. São coisas diferentes. O sanduíche é uma regra de sequência entre mensagens positivas e corretivas. O SCI é uma regra de conteúdo de uma única mensagem.

A distinção importa porque o sanduíche foi testado. Henley e DiGennaro Reed (2015) compararam quatro condições, entre elas a sequência do sanduíche (positivo, corretivo, positivo), a sequência corretivo-positivo-positivo e uma condição sem feedback. Metade das pessoas recebeu feedback logo depois de cada sessão e metade logo antes.

Os autores relatam que, nos dados agregados, o sanduíche não foi a sequência mais eficaz, apesar do que se afirma a respeito dele. Para quem recebeu feedback depois do desempenho, a sequência mais eficaz foi corretivo-positivo-positivo. E, para quem recebeu feedback antes do desempenho, a condição mais eficaz foi não receber feedback nenhum. As diferenças de momento não foram significativas, exceto na condição sem feedback.

A ressalva de escopo é decisiva aqui, e precisa andar junto com o achado: os participantes eram estudantes de graduação executando tarefas de escritório simuladas, não gestores e liderados em empresa. Um resultado desses não autoriza ninguém a decretar o fim do sanduíche na sua PME.

Feedback sanduíche Feedback SCI
O que a regra governa A ordem entre mensagens positivas e corretivas O conteúdo de uma mensagem: situação, comportamento, impacto
O risco embutido O elogio de abertura vira aviso de que vem crítica, e perde valor O roteiro vira formulário recitado, sem observação real por trás
O que a evidência citada diz Não foi a sequência mais eficaz no teste de Henley e DiGennaro Reed (2015), feito com estudantes em tarefas simuladas Nada. Nenhuma das sete fontes deste artigo testou o modelo SCI
Tabela 3. Sanduíche e SCI não são a mesma coisa. A comparação e as duas primeiras linhas são da CGLC. A terceira linha registra um limite que vale para o artigo inteiro: o SCI não foi testado por nenhuma das fontes.

Cinco erros ao aplicar o SCI na PME

Os cinco abaixo vêm do que observamos em programas de liderança com empresas pequenas e médias, e não de nenhuma das fontes citadas.

Erro Como ele soa O que fazer no lugar
1. Situação genérica “Nas reuniões de equipe, em geral…” Escolher um episódio com data. Se não houver um, a conversa ainda não tem objeto
2. Adjetivo disfarçado de comportamento “Você teve um comportamento arrogante” Trocar por verbo: “você respondeu antes de a pessoa terminar a frase, em três momentos”
3. Impacto inventado “Todo mundo ficou constrangido” Relatar só o impacto que você observou ou sentiu, e dizer de quem é a percepção
4. Guardar para a avaliação “Anotei aqui para falar na sua avaliação” Falar perto do episódio. Feedback estocado chega como lista de acusações
5. Usar só no corretivo “Preciso falar com você” só chega depois de um erro Usar o mesmo roteiro no reconhecimento. Se só aparece na crítica, o formato vira aviso de problema
Tabela 4. Os cinco erros e o que fazer no lugar. Inteiramente da CGLC, a partir de observação em programas de liderança com PMEs. Não é achado de pesquisa e não deve ser lido como tal.

Por onde começar na segunda-feira

Na nossa prática, são três movimentos, nesta ordem, e nenhum deles custa dinheiro. Nenhuma das fontes deste artigo propõe ou testa esta sequência.

1. Escolha uma pessoa e um episódio da semana passada. Um só. Escreva as três frases em qualquer lugar, à mão serve. Se a frase do comportamento não sair em verbo de ação, você acabou de descobrir que estava prestes a dar feedback sobre uma impressão.

2. Faça a conversa curta e agendada. Quinze minutos, com hora marcada, e não no corredor. O corredor economiza tempo e custa a parte do combinado, que é quando a conversa vira mudança.

3. Repita com reconhecimento na mesma semana. Mesmo roteiro, episódio positivo. É o que impede o SCI de virar, para a equipe, o som que antecede a bronca.

Se a conversa de feedback na sua empresa hoje acontece uma vez por ano, dentro do formulário, o problema é maior que o roteiro e está no ciclo: vale olhar como está estruturada a avaliação de desempenho e o que cada pessoa tem combinado no plano de desenvolvimento individual. Para o repertório mais amplo de técnicas de conversa, o guia de como dar feedback organiza os formatos disponíveis.

Quer que seus gestores tenham essas conversas sem adiar e sem ferir?

Perguntas frequentes

O que é o feedback SCI?

É um roteiro de três passos para a conversa de feedback: descrever a situação específica em que algo aconteceu, descrever o comportamento observado em verbo de ação e descrever o impacto que esse comportamento teve no trabalho, no time ou no cliente. A sigla é a tradução brasileira de SBI, Situation-Behavior-Impact, modelo do Center for Creative Leadership. O CCL é a origem do método e não é fonte revisada por pares, então ele responde pela definição e não por afirmação de eficácia.

SCI e SBI são a mesma coisa?

São. SBI é o nome original em inglês, do Center for Creative Leadership, e SCI é como o mercado brasileiro traduziu a sigla: situação, comportamento e impacto. Se você encontrou os dois nomes em treinamentos diferentes e achou que eram métodos concorrentes, não são. É o mesmo roteiro com a sigla traduzida.

Dar feedback sempre melhora o desempenho?

Não. A meta-análise de Kluger e DeNisi (1996), com 607 tamanhos de efeito e 23.663 observações, sugere que as intervenções melhoraram o desempenho em média, com d igual a 0,41, e que mais de um terço delas o reduziu. Nos resultados dos mesmos autores, a eficácia parece cair conforme a atenção se afasta da tarefa e se aproxima do self de quem recebe. O estudo é sobre intervenções de feedback em geral e não testa o modelo SCI; a ligação com o roteiro é leitura da CGLC.

O feedback SCI é melhor que o feedback sanduíche?

As duas coisas não são comparáveis diretamente: o sanduíche é uma regra de sequência entre mensagens positivas e corretivas, e o SCI é uma regra de conteúdo de uma única mensagem. Sobre o sanduíche existe teste: Henley e DiGennaro Reed (2015) relatam que ele não foi a sequência mais eficaz, com a ressalva decisiva de que os participantes eram estudantes de graduação em tarefas de escritório simuladas, e não gestores em empresa. Sobre o SCI não existe teste entre as fontes deste artigo: nenhuma delas avaliou o modelo.

Ser mais específico no feedback é sempre melhor?

Não necessariamente. Goodman e Wood (2004), num experimento de transferência sobre uma tarefa, relatam que aumentar a especificidade é em geral benéfico para o desempenho imediato, mas pode minar aspectos do aprendizado necessário para um desempenho posterior mais independente, e que feedback mais específico foi benéfico para aprender a responder ao bom desempenho e prejudicial para aprender a responder ao desempenho ruim. O estudo não é sobre conversas entre gestor e liderado nem testa o SCI. Na nossa prática, o cuidado é descrever o comportamento com precisão sem transformar a conversa em microinstrução.

Com que frequência aplicar o SCI na equipe?

Na nossa prática, perto do episódio e com hora marcada, em vez de acumular para a avaliação anual. Há um motivo de rotina para não esperar o pedido chegar: Anseel e colegas (2015), em meta-análise sobre busca de feedback, relatam que tempo de casa, tempo no cargo e idade estão negativamente relacionados a buscar feedback. Esse estudo é sobre quem pede feedback, não sobre quem dá, e não avalia o SCI. A conclusão de agendar a conversa é nossa.

Fontes e referências

  • Anseel, F., Beatty, A. S., Shen, W., Lievens, F., & Sackett, P. R. (2015). How are we doing after 30 years? A meta-analytic review of the antecedents and outcomes of feedback-seeking behavior. Journal of Management, 41(1), 318-348. https://doi.org/10.1177/0149206313484521
  • Goodman, J. S., & Wood, R. E. (2004). Feedback specificity, learning opportunities, and learning. Journal of Applied Psychology, 89(5), 809-821. https://doi.org/10.1037/0021-9010.89.5.809
  • Henley, A. J., & DiGennaro Reed, F. D. (2015). Should you order the feedback sandwich? Efficacy of feedback sequence and timing. Journal of Organizational Behavior Management, 35(3-4), 321-335. https://doi.org/10.1080/01608061.2015.1093057
  • Ilgen, D. R., Fisher, C. D., & Taylor, M. S. (1979). Consequences of individual feedback on behavior in organizations. Journal of Applied Psychology, 64(4), 349-371. https://doi.org/10.1037/0021-9010.64.4.349
  • Kluger, A. N., & DeNisi, A. (1996). The effects of feedback interventions on performance: A historical review, a meta-analysis, and a preliminary feedback intervention theory. Psychological Bulletin, 119(2), 254-284. https://doi.org/10.1037/0033-2909.119.2.254
  • Smither, J. W., London, M., & Reilly, R. R. (2005). Does performance improve following multisource feedback? A theoretical model, meta-analysis, and review of empirical findings. Personnel Psychology, 58(1), 33-66. https://doi.org/10.1111/j.1744-6570.2005.514_1.x
  • Steelman, L. A., Levy, P. E., & Snell, A. F. (2004). The Feedback Environment Scale: Construct definition, measurement, and validation. Educational and Psychological Measurement, 64(1), 165-184. https://doi.org/10.1177/0013164403258440

Limite de verificação, declarado: as sete referências acima são revisadas por pares e tiveram o DOI conferido no Crossref. Todas foram lidas apenas em resumo, nenhuma em texto completo. Nenhuma delas testa o modelo SCI, e as ressalvas de escopo de cada uma estão escritas junto de cada afirmação no corpo do texto. O modelo em si é do Center for Creative Leadership, que é a origem do método e não é literatura revisada por pares.

Por: Wilma Morais, psicóloga e executive coach na CGLC. A CGLC (Centro de Gestão e Liderança Contemporânea) é um laboratório de cocriação de soluções que apoia empresas e líderes no desenvolvimento de lideranças, cultura de inovação e gestão de pessoas.

Publicado em 20/09/2026.

A CGLC (Centro de Gestão e Liderança Contemporânea) é um laboratório de cocriação de soluções que apoia empresas e líderes no desenvolvimento de lideranças, cultura de inovação e gestão de pessoas.

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